sábado, 17 de abril de 2010

Vou Reabilitar o Trabalho

Num país de Bolsa-Tudo, vale a pena reler este trecho:

"Vou reabilitar o trabalho!

Derrotamos a frivolidade e a hipocrisia dos intelectuais progressistas.
O pensamento único é daquele que sabe tudo e que condena a política enquanto a mesma é praticada.

Não vamos permitir a mercantilização de um mundo onde não há lugar para a cultura: desde 1968 não se podia falar da moral. Haviam-nos imposto o relativismo.

A idéia de que tudo é igual, o verdadeiro e o falso, o belo e o feio, que o aluno vale tanto quanto o mestre, que não se pode dar notas para não traumatizar o mau estudante.

Fizeram-nos crer que a vítima conta menos que o delinqüente. Que a autoridade estava morta, que as boas maneiras haviam terminado.

Que não havia nada sagrado, nada admirável.

Era o slogan de maio de 68 nas paredes de Sorbone: 'Viver sem obrigações e gozar sem trabalhar'.

Quiseram terminar com a escola de excelência e do civismo. Assassinaram os escrúpulos e a ética.

Uma esquerda hipócrita que permitia indenizações milionárias e o triunfo do predador sobre o empreendedor.


Esta esquerda está na política, nos meios de comunicação, na economia. Ela tomou o gosto do poder.

A crise da cultura do trabalho é uma crise moral. Vou reabilitar o trabalho.

Deixaram sem poder as forças da ordem e criaram uma farsa: 'abriu-se uma fossa entre a polícia e a juventude'.

Os vândalos são bons e a polícia é má. Como se a sociedade fosse sempre culpada e o delinqüente, inocente.

Defendem os serviços públicos, mas jamais usam o transporte coletivo. Amam tanto a escola pública, e seus filhos estudam em colégios privados. Dizem adorar a periferia e jamais vivem nela.

Assinam petições quando se expulsa um invasor de terras, mas não aceitam que o mesmo se instale em sua casa. Essa esquerda que desde maio de 1968 renunciou o mérito e o esforço, que atiça o ódio contra a família, contra a sociedade e contra a República.

Isto não pode ser perpetuado num país como a França e por isso estou aqui.

Não podemos inventar impostos para estimular aquele que cobra do Estado sem trabalhar. Quero criar uma cidadania de deveres.

Primeiro os deveres, depois os direitos."
Nicolas Sarkozy
Presidente da França

O texto acima é do discurso de posse do presidente francês Nicolas Sarkozy, dando um recado aos que se acostumaram a viver como proxenetas de um discurso esquerdista e que sempre alimentou os que não sabem pensar por conta própria.


Até parece que Sarkozy falou para os nossos intelectuais e para a esquerda tupiniquim.

O intelectual brasileiro esquerdista ama Cuba e fala das maravilhas da ilha do Dr. Castro, mas o apartamento para férias está em Paris. Cuba, só em audiovisual. Férias com as crianças, só na Disney.

Quando nossos políticos de coragem (se é que existem!) assumirem o tom de Sarkozy, será dada a partida para nossa redenção.

Mensalão - Lula Sabia e Admitiu Isto Ao STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou ao Supremo Tribunal Federal, na quinta-feira, seu depoimento sobre o caso mensalão.

Na resposta ao questionário feito pelo Ministério Público Federal, Lula reconhece pela primeira vez que ouviu em março de 2005 do presidente do PTB, Roberto Jefferson, o alerta sobre a existência do esquema de compra de congressistas da base aliada.

O documento foi entregue no mesmo dia que o plenário do STF rejeitou pedido da defesa de Jefferson para incluir Lula entre os réus do processo.


Como revelou a Folha, Lula respondeu que não conhece pessoalmente o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser operador do principal escândalo de corrupção do governo petista.

Segundo a reportagem, Lula repete a versão que já deu em conversas reservadas sobre Valério. Diz que o publicitário nunca esteve na Granja do Torto.

Jefferson falou de mensalão ao Lula em reunião no Palácio do Planalto na qual estavam Aldo Rebelo e Walfrido dos Mares Guia, à época ministros das Relações Institucionais e do Turismo, respectivamente; Arlindo Chinaglia, então líder do governo na Câmara, e José Múcio, na época líder do PTB.

Na primeira entrevista à Folha, Jefferson afirmou que Lula chorou quando ele o alertou sobre o mensalão e que disse "não ser possível".

No documento do Ministério Público, enviado para Lula em novembro, o presidente é questionado se soube do mensalão por outra pessoa. É uma alusão a uma conversa entre o presidente e o então governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, em maio de 2004.

O presidente diz que só soube de detalhes do esquema de compra de apoio parlamentar após as revelações de Jefferson à imprensa.


Desde a revelação do mensalão, há rumores de que Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, teria levado Valério à Granja do Torto para se encontrar com Lula, que nega essa versão.

Até mesmo no Brasil, mentira tem pernas tortas e um dedo a menos.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Tragédias do Rio - Culpa da Sociedade

As TVs comprometidas ou não com conteúdos do mundo cão, derramam sons e imagens sobre a tragédia do Rio pelo oitavo dia consecutivo, como fizeram durante 45 dias no caso das enchentes de São Paulo.

São situações recorrentes.

As câmeras mostram sucessão de mulheres desesperadas, autoridades e especialistas explicando o que aconteceu e paisagens urbanas desoladoramente laceradas, pobres e amedrontadas.

O telespectador é transformado no espectador emasculado, que tudo consome no conforto da poltrona, enquanto sorve o trago da noite, mordisca o jantar em preparo e dá uma passada de olhos pelos jornais do dia.

É um BBB de povo pobre.

A tudo vê e ouve o governador do Rio, Sérgio Cabral, que acerta em cheio o diagnóstico: "A culpa é da sociedade". E é. A sociedade que elege gente como o governador Sérgio Cabral ou Lula, não tomou consciência de que tudo o que acontece pode e deve ser resolvido e prevenido pelos governantes que elege a cada dois anos.

Foram por água abaixo os PACs 1 e 2 e o programa Minha Casa, Minha Vida, como até mesmo o Bolsa Família, que não atacaram os problemas de infraestrutura material e social responsáveis pela tragédia repetida e que se repetirá ad nauseam.

É só olhar para a Europa Ocidental, para Estados Unidos e Canadá, para o Japão ou Coréia, Nova Zelândia e Austrália, e constatar que o estado de bem-estar social está ao alcance das mãos de cada um, bastando que eleja governantes decididos a melhorar os padrões de vida do conjunto da população brasileira.

Não se entende como é que os jornalistas não fazem a sua parte ao buscar as imagens e as falas, enfiando os microfones nas bocas da população humilhada e das autoridades que se escondem nestas horas, com o objetivo de fazer uma única pergunta: Por que você não está no meio dessa sujeirada toda, encharcando as mãos e decidindo que isto nunca mais voltará a acontecer no Brasil?

Desta vez, ao contrário do que fez quando conquistou a sede das Olimpíadas de 2014, o governador Sérgio Cabral não verteu uma só lágrima, como também Lula, nem de longe.

Desta vez, mandou ao Rio, fardado de soldadinho de campanha, o seu ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Militares, Nunca Mais!


Ainda bem que hoje tudo é diferente, temos um PT sério, honesto eprogressista.

Cresce o grupo que não quer mais ver militares no poder,pelas razões abaixo.

Militar no poder, nunca mais. Só fizeram lambanças.
  • Tiraram o cenário bucólico que havia na Via Dutra de uma só pista, que foi duplicada e recebeu melhorias; acabaram aí com as emoções das curvas mal construídas e os solavancos estimulantes provocados pelos buracos na pista.
  • Não satisfeitos, fizeram o mesmo com a rodovia Rio-Juiz de Fora.
  • Com a construção da ponte Rio-Niterói, acabaram com o sonho decrescimento da pequena Magé, cidade nos fundos da Baía de Guanabara,que era caminho obrigatório dos que iam de um lado ao outro e nãoqueriam sofrer na espera da barcaça que levava meia dúzia de carros.
  • Criaram esse maldito do Proálcool, com o medo infundado de que opetróleo vai acabar um dia. Para apressar logo o fim do chamado "ouronegro", deram um impulso gigantesco à Petrobras, que passou a extrair petróleo (de 75 mil barris diários, passou a produzir 750 mil); sem contar o fedor de bêbado que os carros passaram a ter com o uso do álcool.
  • Enfiaram o Brasil numa disputa estressante, levando-o da posição de 45ª economia do mundo para a posição de 8ª, trazendo com isso uma nociva onda de inveja mundial.
  • Tiraram o sossego da vida ociosa de 13 milhões de brasileiros, que, com a gigantesca oferta de emprego, ficaram sem a desculpa do "estou desempregado".
  • Em 1971, no governo militar, o Brasil alcançou a posição de segundo maior construtor de navios no mundo. Uma desgraça completa, com milhares de empregos criados.
  • Com gigantesca oferta de empregos, baixaram consideravelmente os índices de roubos e assaltos. Sem aquela emoção de estar na iminência de sofrer um assalto, os nossos passeios perderem completamente a graça.
  • Alteraram profundamente a topografia do território brasileiro com aconstrução de hidrelétricas gigantescas (Tucuruí, Ilha Solteira, Jupiá e Itaipu), o que obrigou as nossas crianças a aprenderem sobre essas bobagens, de nomes esquisitos. O Brasil, que antes vivia o romantismo do jantar à luz de velas ou de lamparinas, teve que tolerar a instalação de milhares de torres de alta tensão espalhadas pelo seu território, para levar energia elétrica a quem nunca precisou disso.
  • Implementaram os metrôs de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza, deixando tudo pronto para atazanar a vida dos cidadãos e o trânsito nestas cidades.
  • Baniram do Brasil pessoas bem intencionadas, que queriam implantar aqui um regime político que fazia a felicidade dos russos, cubanos e chineses, em cujos países as pessoas se reuniam em fila nas ruas apenas para bater-papo, e ninguém pensava em sair a passeio para nenhum outro país. Foram demasiadamente rigorosos com os simpatizantes daqueles regimes, só porque soltaram uma "bombinha de São João" no aeroporto de Guararapes, onde alguns inocentes morreram de susto, apenas.
  • Os militares são muito estressados. Fazem tempestade em copo d'água só por causa de alguns assaltos a bancos, assassinatos de inocentes, sequestros de diplomatas.. .ninharias que qualquer delegado de polícia resolve.
  • Tiraram-nos o interesse pela Política, vez que os deputados e senadores daquela época não nos brindavam com esses deliciosos escândalos que fazem a alegria da gente hoje.
  • Inventaram um tal de FGTS, PIS e PASEP, só para criar atritos entre empregados e patrões. Para piorar a coisa, ainda criaram o MOBRAL, que ensinou milhões a ler e escrever, aumentando mais ainda o poder desses empregados contra os seus patrões. Nem o homem do campo escapou, porque criaram para ele o FUNRURAL, tirando do pobre coitado a doce preocupação que ele tinha com o seu futuro. Era tão bom imaginar-se velhinho, pedindo esmolas para sobreviver.
  • Outras desgraças criadas pelos militares: Trouxeram a TV a cores para as nossas casas, pelas mãos e burrice de um Oficial do Exército, formado pelo Instituto Militar de Engenharia, que inventou o sistema PAL-M, impedindo as multinacionais de cobrar elevados "royalties".
  • Criaram a EMBRATEL; TELEBRÁS; ANGRA I e II; INPS, IAPAS, DATAPREV, LBA, FUNABEM.

Tudo isso e muito mais os militares fizeram em 22 anos de governo.

Depois que entregaram o governo aos civis, estes, nos vinte anos seguintes, não fizeram nem 10% dos estragos que os militares fizeram.

Graças a Deus!

Tem muito mais coisas horrorosas que eles, os militares, criaram, mas o que está escrito acima é o bastante para dizermos: "Militar no poder, nunca mais!!!"

ALÉM DISSO, NENHUM DESSES MILITARES CONSEGUIU FICAR RICO.

NEM SEUS FILHOS, PRIMOS, CUNHADOS, AMIGOS OU CORRELIGIONÁRIOS.

ÊTA PESSOAL INCOMPETENTE!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Advertência Oportuna

Editorial - Zero Hora, Porto Alegre

Duas advertências feitas ontem pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal merecem ser devidamente avaliadas por responsáveis pela definição da política econômica no governo Luiz Inácio Lula da Silva e pela definição dos programas dos pré-candidatos à sua sucessão.

Um dos alertas, apontado pela articulista Mary Anastasia O’Grady, é o de que, desde a descoberta de abundantes reservas de petróleo, em 2007, o país deixou de lado a preocupação com as reformas estruturais. A outra é que, no Brasil, a estrutura de taxas e regulações do mercado cria uma situação asfixiante, a ponto de forçar pequenos e médios empresários a migrar para a informalidade como forma de sobrevivência.

O enfrentamento destas questões é precondição para uma transição sem maiores percalços, evitando a possibilidade de repetição de prejuízos econômico-financeiros comuns em mudanças de governo.

A questão é que tanto a necessidade do enfrentamento da burocracia quanto a das reformas costumam aparecer como prioridade dos governantes, que, embora as incluam na maior parte de suas manifestações públicas, não tomam iniciativas concretas para agir nesse sentido.

O resultado é que o país figura hoje entre os campeões de custos trabalhistas, que em alguns casos significam dobrar o custo dos salários. São conhecidas também as dificuldades encontradas para a simples abertura de uma empresa, entre outros procedimentos de rotina de quem empreende.

Além de não ter conseguido levar adiante uma reforma trabalhista adequada às transformações do mercado empregador na atualidade, o país continua devendo uma reforma tributária que, sem prejuízo ao financiamento do setor público, possa estimular a expansão do setor privado.

Um dos principais entraves à reforma tributária é justamente o fato de que, diante dos sucessivos recordes de arrecadação, a máquina administrativa no Brasil trata imediatamente de encontrar uma destinação para a receita extra – na maioria das vezes, com pessoal.

No início do segundo mandato, durante o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo federal chegou a encaminhar ao Congresso projeto de lei prevendo a contenção de gastos com pessoal por uma década, como forma de garantir mais recursos para investimentos públicos em infraestrutura.

Além de ter sido deixada de lado, porém, a intenção ainda deu margem a uma corrida por recuperação salarial por parte de categorias funcionais, algumas das quais acabaram atendidas.

Na antevéspera de sua troca de comando, o país não deve perder de vista a importância de levar adiante reformas como a trabalhista e a tributária, como forma de garantir expansão econômica com estabilidade. O alerta da publicação norte-americana especializada em economia é importante por chamar a atenção para esses aspectos que o país, infelizmente, teima em subestimar.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Escolha de Sofia

Para quem não sabe, a escolha de Sofia é a história de uma mãe judia no campo de concentração nazista de Auschwitz, que é forçada por um soldado alemão a escolher entre o filho e a filha qual será executado e o que será poupado. Se ela se recusasse a escolher, os dois seriam mortos.

Ela escolhe o menino, que é mais forte e tem mais chances de sobreviver, porém nunca mais tem notícias dele. A questão é tão terrível que o título se converteu em sinônimo de decisão quase impossível de ser tomada.

Serra ou Dilma? A Escolha de Sofia
Rodrigo Constantino
“Tudo que é preciso para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam.” (Edmund Burke)
Aécio Neves pulou fora da corrida presidencial de 2010. Agora é praticamente oficial: José Serra e Dilma Rousseff são as duas opções viáveis nas próximas eleições. Em quem votar? Esse é um artigo que eu não gostaria de ter que escrever, mas me sinto na obrigação de fazê-lo. Afinal, nosso futuro e liberdade estão em jogo. Será que há necessidade de optar? Ou será que o voto nulo representa a única alternativa?
Tais questões me levaram à lembrança do excelente livro O Sonho de Cipião, de Iain Pears, uma leitura densa que desperta boas reflexões sobre o neoplatonismo. Quando a civilização está em xeque, até onde as pessoas de bem podem ir, na tentativa de salvá-la da barbárie completa? Nas palavras do autor: “Usamos os bárbaros para controlar a barbárie? Podemos explorá-los de modo que preservem os valores civilizados ao invés de destruí-los? Os antigos atenienses tinham razão ao dizerem que assumir qualquer lado é melhor do que não assumir nenhum?”
Permanecer na “torre de marfim”, preservando uma visão ideal de mundo, sem sujar as mãos com um voto infame, sem dúvida traz conforto. Manter a paz da consciência tem seus grandes benefícios individuais. Além disso, o voto nulo tem seu papel pragmático também: ele representa a única arma de protesto político contra todos que estão aí, contra o sistema podre atual. Somente no dia em que houver mais votos nulos do que votos em candidatos o recado das urnas será ouvido como um brado retumbante, alertando que é chegada a hora de mudanças estruturais. Os eleitos sempre abusam do respaldo das urnas, dos milhões de eleitores que deram seu aval ao programa de governo do vencedor, ainda que muitas vezes tal voto seja fruto do desespero, da escolha no “menos pior”.

Mas existem momentos tão delicados e extremos, onde o que resta das liberdades individuais está pendurado por um fio, que talvez essa postura idealista e de longo prazo não seja razoável. Será que não valeria a pena ter fechado o nariz e eliminado o Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialista em 1933 na Alemanha, antes que Hitler pudesse chegar ao poder? Será que o fim de eliminar Hugo Chávez justificaria o meio deplorável de eleger um candidato horrível, mas menos louco e autoritário? São questões filosóficas complexas. Confesso ficar angustiado quando penso nisso.
Voltando à realidade brasileira, temos um verdadeiro monopólio da esquerda na política nacional, PT e PSDB.
Mas existem algumas diferenças importantes também. O PT tem mais ranço ideológico, mais sede pelo poder absoluto, mais disposição para adotar quaisquer meios – os mais abjetos – para tal meta. O PSDB parece ter mais limites éticos quanto a isso. O PT associou-se aos mais nefastos ditadores, defende abertamente grupos terroristas, carrega em seu âmago o DNA socialista. O PSDB não chega a tanto.

Além disso, há um fator relevante de curto prazo: o governo Lula aparelhou a máquina estatal toda, desde os três poderes, passando pelo Itamaraty, STF, Polícia Federal, as ONGs, as estatais, as agências reguladoras, tudo! O projeto de poder do PT é aquele seguido por Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Rafael Correa no Equador, enfim, todos os comparsas do Foro de São Paulo. Se o avanço rumo ao socialismo não foi maior no Brasil, isso se deve aos freios institucionais, mais sólidos aqui, e não ao desejo do próprio governo. A simbiose entre Estado e governo na gestão Lula foi enorme. O estrago será duradouro. Mas quanto antes for abortado, melhor será: haverá menos sofrimento no processo de ajuste.

Justamente por isso acredito que os liberais devem olhar para este aspecto fundamental, e ignorar um pouco as semelhanças entre Serra e Dilma, mas uma continuação da gestão petista através de Dilma é um tiro certo rumo ao pior. Dilma é tão autoritária ou mais que Serra, com o agravante de ter sido uma terrorista na juventude comunista, lutando não contra a ditadura, mas sim por outra ainda pior, aquela existente em Cuba ainda hoje. Ela nunca se arrependeu de seu passado vergonhoso; pelo contrário, sente orgulho. Seu grupo Colina planejou diversos assaltos e assassinatos.
Como anular o voto sabendo que esta senhora poderá ser nossa próxima presidente?! Como virar a cara sabendo que isso pode significar passos mais acelerados em direção ao socialismo “bolivariano”?

Entendo que para os defensores da liberdade individual, escolher entre Dilma e Serra é como uma escolha de Sofia: a derrota está anunciada antes mesmo da decisão. Mesmo o resultado “desejado” será uma vitória de Pirro. Algo como escolher entre um soco na cara ou no estômago. Mas situações extremas demandam medidas extremas, e infelizmente colocam certos valores puristas em xeque. Anular o voto, desta vez, pode significar o triunfo definitivo do mal. Em vez de soco na cara ou no estômago, podemos acabar com um tiro na nuca.

Dito isso, assumo que votarei em Serra, mas não sem antes tomar um Engov. Meu voto é anti-PT acima de qualquer coisa. Meu voto é contra o Lula, contra o Chávez, que já declarou abertamente apoio a Dilma. Meu voto não é a favor de Serra . ... E, no dia seguinte da eleição, já serei um crítico tão duro ao governo Serra como sou hoje ao governo Lula. Mas, antes é preciso retirar a corja que está no poder. Antes é preciso desarmar a quadrilha que tomou conta de Brasília. Ainda que depois ela seja substituída por outra parecida em muitos aspectos. Só o desaparelhamento de petistas do Estado já seria um ganho para a liberdade, ainda que momentâneo.

Respeito meus colegas liberais que discordam de mim e pretendem anular o voto. Mas espero ter sido convincente de que o momento pede um pacto temporário, como única chance de salvar o que resta da civilização brasileira – o que não é muito.
Rodrigo Constantino é economista pela PUC-RJ, com MBA em Finanças pelo IBMEC. É autor de 5 livros e editor do blog Rodrigo Constantino. Foi o vencedor do Prêmio Libertas em 2009, no XXII Fórum da Liberdade.

Contenha seu entusiasmo pelo Brasil

O respeitado jornal "The Wall Street Journal", de New York, publicou um artigo sob o título "Contenha seu entusiasmo pelo Brasil", que afirma que, desde que descobriu novas e promissoras reservas de petróleo na sua costa em 2007, o país parece ter abandonado várias reformas que deveriam deixá-lo em sintonia com sua ambição de conquistar um lugar entra as nações mais industrializadas do mundo.

O artigo foi publicado nesta segunda-feira, assinado por Mary Anastasia O'Grady, editora e colunista do jornal americano de finanças.

O texto questiona o otimismo manifestado no país sobre o sucesso das parcerias público-privadas na reinvenção "de um Brasil com sua nova riqueza".

O'Grady se refere em particular ao entusiasmo manifestado pelo empresário carioca Eike Batista em uma recente passagem por Nova York.

Ela conta que Batista, apontado como o homem mais rico do Brasil e o oitavo mais rico do mundo pela revista Forbes, "encantou a plateia com seu entusiasmo, não apenas por seus próprios projetos no desenvolvimento da exploração de petróleo, de portos e de estaleiros, como também pelo seu país".

"Apesar dos muitos erros do passado, ele (Batista) disse que o Brasil mudou e está pronto para reclamar seu lugar de direito entre as nações industrializadas", escreve.


Mas a autora do artigo se diz "cética" quanto ao otimismo de Batista, e se pergunta se o resto do país também vai se beneficiar das oportunidades que se abriram para o empresário no setor de gás e petróleo.

"Quanto mais a elite do país fala sobre sua parceria público-privada para reinventar o Brasil com sua recém descoberta riqueza, mais soa como o mesmo velho corporativismo latino", diz ela.

O'Grady admite que o Brasil melhorou "em relação ao que era em meados da década de 90, quando hiperinflação alimentou caos nacional", e disse que "o crédito por controlar os preços vai para o ex-presidente de dois mandatos (Fernando) Henrique Cardoso, cujo governo implementou o Plano Real".


A autora minimiza o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no comando do país, dizendo que "uma revisão de sua gestão revela que a melhor coisa que ele fez como chefe-executivo do país foi nada".


"Além da reforma da lei de falências e a melhoria da legislação relativa a seguros, ele (Lula) fez muito pouco."

A jornalista considera positivo que mudanças sejam gradativas, mas diz que "o problema é que desde que o Brasil descobriu petróleo abundante na costa em 2007, parece ter abandonado até as reformas modestas".

No artigo, ela sugere que faltam reformas que facilitem a operação de muitas empresas de pequeno e médio porte.


Citando um relatório do Banco Mundial de 2010, O'Grady diz que o Brasil não tem um bom histórico em relação à abertura de empresa, pagamento de impostos, contratação de funcionários e obtenção de alvará de construção.
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