Brasil melhorou por conta de NÓS, você e eu, trabalhando e "dando duro", pagando impostos e empregando gente, produzindo renda, estudando e trazendo novas tecnologias, dando o nosso "sangue, suor e lágrimas" para deixarmos um país melhor para nossos filhos, ensinando-os a terem ética, moral, respeito e honestidade. Você e eu, sim, fizemos esse país crescer, como fizeram os nosso pais e avós, apesar da corja de corruptos e ladrões que sempre existiram e existirão no Brasil e em outros países.
O Brasil melhorou APESAR da politica e da politicagem, por que a grande massa é séria, honesta, trabalhadora e competente, MAS tem medo de assumir o seu real e verdadeiro lugar e ocupar os espaços que estão sendo usurpados pelos políticos desonestos.
Cabe a nós sermos mais engajados e "pró-ativos" e tomarmos controle das nossas vidas políticas.
Um blog sobre as coisas que vejo e leio e que sinto uma vontade irresistível de compartilhar com outras pessoas.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Aviso Aos Navegantes
Nos últimos dias houve uma tentativa de censurar o que eu escrevo e envio para as pessoas que conheço e que acho que merecem saber minha opinião.
Por merecer saber minha opinião, implica em dizer que são pessoas que respeito e, das quais, também quero saber o que pensam, mesmo que suas idéias e opiniões sejam contrárias às minhas.
E estas mensagens abrem as portas para o diálogo democrático.
Com isto estabelecemos uma sadia troca de idéias que, no final, pelo menos me ajudará a pensar melhor e ser um melhor cidadão.
Essa é, na minha concepção, a essência da democracia, um conceito tão antigo e, ao mesmo tempo tão recente no nosso continente, especialmente, no nosso país. Na história republicana do Brasil há mais tempo com a liberdade de expressão tolhida do que o contrário.
E parece que querem trazer estes períodos obscuros da nossa história republicana, de volta, em pleno Século 21.
Esta coluna do Augusto Nunes reflete bem o meu sentimento com relação a este esforço ditatorial que uma minoria pretende usar contra a democracia.
Aviso aos navegantes
Augusto Nunes
Como a coluna avança para a fronteira do primeiro milhão de páginas vistas por mês, vai crescendo o berreiro dos milicianos que, desesperados com a implosão da farsa dos 80% de popularidade, pretendem invadir os territórios ocupados pela resistência democrática. Perdem tempo. Este blog nasceu para combater sem medos nem meias palavras todos os sacerdotes do autoritarismo e seus rebanhos abúlicos. Devotos da ditadura, seja ela qual for, aqui não têm vez. Incontáveis nostálgicos do século 19 estão no coração do poder, prontos para o assalto ensaiado desde sempre pelos stalinistas de chanchada. A coluna é radicalmente democrata. É natural que se oponha ao governo.
Quem frequenta este espaço sabe que aqui se pratica o convívio dos contrários. Ninguém aceita nem tenta impor o pensamento único. Os comentaristas se expressam livremente, divergem entre si, discordam do colunista, escrevem o que querem. Não tenho bandidos de estimação, não sou filiado a partidos, não admito que a aplicação da lei se sujeite à carteira de identidade, à posição política, ao círculo de amigos ou à conta bancária do delinquente. Corrupto é corrupto, liberticidas são todos gêmeos, canalhas são siameses. Culpados devem ser punidos. Ponto.
Como atestam os comentários sobre o último post, nem o candidato da oposição é poupado. Mas só merece participar dos debates quem é provido de autonomia intelectual, pensa com independência, não tem compromisso com o erro, é capaz de rever conceitos e mudar de ideia. Cabeças sem cérebro, ou robotizadas pela rendição incondicional a um demagogo afundado na soberba, não têm o que fazer na coluna. O Programa Bolsa Imprensa espalhou pela internet dezenas de blogs estatizados. Todos hospedam com pompas e fitas o coro dos contentes. Os patrulheiros fanáticos e os servos vocacionais que navegam pela rede devem escolher um deles para a celebração do Brasil Maravilha que Lula inventou.
Verdades milenares são sempre contemporâneas do mundo ao redor. Uma delas se ajusta perturbadoramente ao Brasil deste começo de século. Ensina que os democratas não podem permitir que os pastores da escuridão invoquem cinicamente a liberdade de opinião para a destruição do Estado de Direito.
Ethan Edwards complementa e enriquece o Aviso aos Navegantes
O comentário do ótimo Ethan Edwards sobre o Aviso aos Navegantes complementa e enriquece o que escrevi. Ele falou por mim:
Às vezes é má-fé; às vezes, só ignorância mesmo. Não entendem ou fingem não entender o abecê da democracia. O que chamamos de “liberdade de imprensa” é um direito que, nas sociedades democráticas, se estabelece nas relações entre o governo e os cidadãos. É uma garantia de que o poder do Estado não será utilizado para impedir a livre expressão dos cidadãos. No caso brasileiro, a liberdade de imprensa – ou de opinião, tanto faz – assegura a qualquer cidadão (o que inclui Augusto Nunes) o direito de manter um blog e dizer o que acha do amor, dos colibris, do presidente da República, etc. Se a Justiça concluir que esse cidadão cometeu injúria, calúnia ou difamação, ele será punido nos termos do Código Penal. Ponto. Fim da primeira parte.
Segunda parte. A liberdade de imprensa não rege as relações entre Augusto Nunes e seus leitores. Não obriga, portanto, Augusto Nunes a veicular em seu blog qualquer comentário. O blog tem dono, não é do governo nem é mantido com dinheiro do contribuinte: publicar ou não publicar é decisão exclusiva do blogueiro.
No entanto, se tem esse “lado ruim”, digamos assim, de impedir que os meus inteligentíssimos comentários sejam publicados em alguns blogs, a liberdade de imprensa tem também um “lado bom”: ela assegura ao preclaro cidadão que teve seu comentário rejeitado por Augusto Nunes o direito de dirigir-se a outro blog (o de José Dirceu, por ex.), ou criar o seu, e livremente dizer o que acha de Augusto Nunes, do seu blog e das pessoas que o frequentam.
Não está bom assim? Ou esses argumentos são mais uma prova de que o governo tem-se mostrado muito frouxo por ainda ainda não haver instituído o “controle social da mídia”?
Por merecer saber minha opinião, implica em dizer que são pessoas que respeito e, das quais, também quero saber o que pensam, mesmo que suas idéias e opiniões sejam contrárias às minhas.
E estas mensagens abrem as portas para o diálogo democrático.
Com isto estabelecemos uma sadia troca de idéias que, no final, pelo menos me ajudará a pensar melhor e ser um melhor cidadão.
Essa é, na minha concepção, a essência da democracia, um conceito tão antigo e, ao mesmo tempo tão recente no nosso continente, especialmente, no nosso país. Na história republicana do Brasil há mais tempo com a liberdade de expressão tolhida do que o contrário.
E parece que querem trazer estes períodos obscuros da nossa história republicana, de volta, em pleno Século 21.
Esta coluna do Augusto Nunes reflete bem o meu sentimento com relação a este esforço ditatorial que uma minoria pretende usar contra a democracia.
Aviso aos navegantes
Augusto Nunes
Como a coluna avança para a fronteira do primeiro milhão de páginas vistas por mês, vai crescendo o berreiro dos milicianos que, desesperados com a implosão da farsa dos 80% de popularidade, pretendem invadir os territórios ocupados pela resistência democrática. Perdem tempo. Este blog nasceu para combater sem medos nem meias palavras todos os sacerdotes do autoritarismo e seus rebanhos abúlicos. Devotos da ditadura, seja ela qual for, aqui não têm vez. Incontáveis nostálgicos do século 19 estão no coração do poder, prontos para o assalto ensaiado desde sempre pelos stalinistas de chanchada. A coluna é radicalmente democrata. É natural que se oponha ao governo.
Quem frequenta este espaço sabe que aqui se pratica o convívio dos contrários. Ninguém aceita nem tenta impor o pensamento único. Os comentaristas se expressam livremente, divergem entre si, discordam do colunista, escrevem o que querem. Não tenho bandidos de estimação, não sou filiado a partidos, não admito que a aplicação da lei se sujeite à carteira de identidade, à posição política, ao círculo de amigos ou à conta bancária do delinquente. Corrupto é corrupto, liberticidas são todos gêmeos, canalhas são siameses. Culpados devem ser punidos. Ponto.
Como atestam os comentários sobre o último post, nem o candidato da oposição é poupado. Mas só merece participar dos debates quem é provido de autonomia intelectual, pensa com independência, não tem compromisso com o erro, é capaz de rever conceitos e mudar de ideia. Cabeças sem cérebro, ou robotizadas pela rendição incondicional a um demagogo afundado na soberba, não têm o que fazer na coluna. O Programa Bolsa Imprensa espalhou pela internet dezenas de blogs estatizados. Todos hospedam com pompas e fitas o coro dos contentes. Os patrulheiros fanáticos e os servos vocacionais que navegam pela rede devem escolher um deles para a celebração do Brasil Maravilha que Lula inventou.
Verdades milenares são sempre contemporâneas do mundo ao redor. Uma delas se ajusta perturbadoramente ao Brasil deste começo de século. Ensina que os democratas não podem permitir que os pastores da escuridão invoquem cinicamente a liberdade de opinião para a destruição do Estado de Direito.
Ethan Edwards complementa e enriquece o Aviso aos Navegantes
O comentário do ótimo Ethan Edwards sobre o Aviso aos Navegantes complementa e enriquece o que escrevi. Ele falou por mim:
Às vezes é má-fé; às vezes, só ignorância mesmo. Não entendem ou fingem não entender o abecê da democracia. O que chamamos de “liberdade de imprensa” é um direito que, nas sociedades democráticas, se estabelece nas relações entre o governo e os cidadãos. É uma garantia de que o poder do Estado não será utilizado para impedir a livre expressão dos cidadãos. No caso brasileiro, a liberdade de imprensa – ou de opinião, tanto faz – assegura a qualquer cidadão (o que inclui Augusto Nunes) o direito de manter um blog e dizer o que acha do amor, dos colibris, do presidente da República, etc. Se a Justiça concluir que esse cidadão cometeu injúria, calúnia ou difamação, ele será punido nos termos do Código Penal. Ponto. Fim da primeira parte.
Segunda parte. A liberdade de imprensa não rege as relações entre Augusto Nunes e seus leitores. Não obriga, portanto, Augusto Nunes a veicular em seu blog qualquer comentário. O blog tem dono, não é do governo nem é mantido com dinheiro do contribuinte: publicar ou não publicar é decisão exclusiva do blogueiro.
No entanto, se tem esse “lado ruim”, digamos assim, de impedir que os meus inteligentíssimos comentários sejam publicados em alguns blogs, a liberdade de imprensa tem também um “lado bom”: ela assegura ao preclaro cidadão que teve seu comentário rejeitado por Augusto Nunes o direito de dirigir-se a outro blog (o de José Dirceu, por ex.), ou criar o seu, e livremente dizer o que acha de Augusto Nunes, do seu blog e das pessoas que o frequentam.
Não está bom assim? Ou esses argumentos são mais uma prova de que o governo tem-se mostrado muito frouxo por ainda ainda não haver instituído o “controle social da mídia”?
Por Que Lula se Recusa a Debater Com FHC?
Não entendo . . .
O Lula afirma, aos quatro cantos, que é o melhor presidente que o Brasil já teve. Que tudo de bom que existe aqui, foi feito ou proporcionado por ele e por seu governo.
Então, por que se recusa a debater com o Fernando Henrique Cardoso. Por que tem medo?
Vejam a excelente matéria sobre o assunto:
Na reunião que reduziu a residência oficial do presidente da República a comitê eleitoral, o inquilino prestes a devolver o imóvel ordenou aos presentes que, no segundo turno da campanha, comparassem o atual governo ao de Fernando Henrique Cardoso. A determinação animou a coluna a ressuscitar a grande ideia apresentada em fevereiro pelo comentarista Sebastião Silveira: um debate na televisão entre Lula e FHC. Ao fim de duas ou três horas, o eleitorado brasileiro dirá quem lhe pareceu mais sensato, mais preparado, mais seguro, mais convincente.
Há oito meses, Fernando Henrique topou de imediato: “Debate é sempre saudável”, disse. “Aceito, pelo Brasil”. Lula demorou uma semana para responder pela voz de Franklin Martins: “O presidente Lula, quando deixar a Presidência e se tornar um ex-presidente, aceitará debater com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”, esquivou-se o ministro da Comunicação Social.
A explicação foi revogada pelo abandono do emprego. Há pelo menos três meses, Lula trocou o gabinete pelo palanque. E acaba de avisar que assim será até o fim do segundo turno. Livre do serviço, tem tempo de sobra para desincumbir-se pessoalmente da missão confiada aos aliados. Como repete de meia em meia hora que nunca antes neste país houve um governante tão iluminado, não devem faltar argumentos para vencer o debate.
Reapresentado o convite, o ex-presidente reiterou que está pronto para o duelo. Se o chefe de governo que virou chefe de comício recusar o confronto pela segunda vez, o país inteiro saberá que FHC está para o SuperLula como a kriptonita para o Super-Homem. Melhor não chegar perto.
O Lula afirma, aos quatro cantos, que é o melhor presidente que o Brasil já teve. Que tudo de bom que existe aqui, foi feito ou proporcionado por ele e por seu governo.
Então, por que se recusa a debater com o Fernando Henrique Cardoso. Por que tem medo?
Vejam a excelente matéria sobre o assunto:
Na reunião que reduziu a residência oficial do presidente da República a comitê eleitoral, o inquilino prestes a devolver o imóvel ordenou aos presentes que, no segundo turno da campanha, comparassem o atual governo ao de Fernando Henrique Cardoso. A determinação animou a coluna a ressuscitar a grande ideia apresentada em fevereiro pelo comentarista Sebastião Silveira: um debate na televisão entre Lula e FHC. Ao fim de duas ou três horas, o eleitorado brasileiro dirá quem lhe pareceu mais sensato, mais preparado, mais seguro, mais convincente.
Há oito meses, Fernando Henrique topou de imediato: “Debate é sempre saudável”, disse. “Aceito, pelo Brasil”. Lula demorou uma semana para responder pela voz de Franklin Martins: “O presidente Lula, quando deixar a Presidência e se tornar um ex-presidente, aceitará debater com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”, esquivou-se o ministro da Comunicação Social.
A explicação foi revogada pelo abandono do emprego. Há pelo menos três meses, Lula trocou o gabinete pelo palanque. E acaba de avisar que assim será até o fim do segundo turno. Livre do serviço, tem tempo de sobra para desincumbir-se pessoalmente da missão confiada aos aliados. Como repete de meia em meia hora que nunca antes neste país houve um governante tão iluminado, não devem faltar argumentos para vencer o debate.
Reapresentado o convite, o ex-presidente reiterou que está pronto para o duelo. Se o chefe de governo que virou chefe de comício recusar o confronto pela segunda vez, o país inteiro saberá que FHC está para o SuperLula como a kriptonita para o Super-Homem. Melhor não chegar perto.
Ideli "mensalão" Salvatti
Ideli Salvatti, o berreiro à procura de uma idéia, lutou bravamente pela derrota em Santa Catarina.
Que emprego merece ganhar em janeiro?
Que emprego merece ganhar em janeiro?
- Babá do neto de Dilma Rousseff
- Professora de oratória de Tiririca
- Estilista particular de Marta Suplicy
- Consultora de boas maneiras de Marco Aurélio Garcia
- Personal trainer de Cândido Vaccarezza
- Acompanhante de Marisa Letícia S
- ócia de Wellington Salgado num salão de cabeleireiro
Ideli "mensalão" Salvatti, ex-senadora, ex-líder do governo-defende-mensalão-no-congresso, ex-candidata "com certeza vai ganhar, veja as pesquisas" do PT para o Governo de Santa Catarina e companheira de palanque do Luiz Inácio "deixa que eu inauguro" Lula da Silva está, mais do que nunca, fazendo campanha pra Dilma.
Afinal, se a marionete do Lula não ganhar, ela vai viver de que?
DERROTA POLÍTICA DO LULO-PETISMO
DERROTA POLÍTICA DO LULO-PETISMO
Augusto de Franco
Marina contribuiu para separar o joio do trigo em uma base eleitoral que o governo acreditava cativa e abriu fenda no esquema neopopulista
Contra fatos não há argumentos.
E "o dado concreto" é que os brasileiros, em sua maioria, não apoiaram o terceiro mandato de Lula (por interposta pessoa).
Os quase 47% dos votos de Dilma configuram uma derrota política, se considerarmos o fortíssimo empenho da máquina estatal a favor de sua candidatura e o engajamento exorbitante do presidente da República -como "nunca antes se viu neste país"- em prol da sua vitória no primeiro turno.
Com efeito, Lula abandonou a sua posição de magistrado para se engajar na guerra eleitoral da forma mais rasteira, transformando vítimas em culpados, levantando solertes suspeições, falsificando a opinião pública, investindo contra a liberdade de imprensa.
Ele cometeu esse erro porque estufou com seus 80% de popularidade. Perigo!
Em política, a hiperinflação do ego costuma vir acompanhada de pretensões despóticas. E o sujeito possuído pelo mito que criou sobre si mesmo acredita-se o único eleitor e acaba confundindo popularidade com legitimidade.
Em certa época, 99% dos albaneses achavam o governo do ditador Hoxha ótimo ou bom. Saddam, nos seus tempos de glória, alcançou 96% de aprovação dos iraquianos. Fujimori, quando deu um golpe em 1992, dissolvendo o Congresso e intervindo no Judiciário, chegou a 80% de popularidade no Peru.
Na lista das duas dezenas de ditadores remanescentes, de Lukashenko (em Belarus) a José Eduardo (em Angola), de Kim Jong Il (na Coreia) a Gaddafi (na Líbia), dos irmãos Castro (em Cuba) a Mugabe (no Zimbábue) passando por al-Bashir (no Sudão), temos um verdadeiro festival de campeões de popularidade.
Todos esses autocratas, a despeito dos votos que teriam ou tiveram, eram e são ilegítimos. Lula deveria refletir sobre isso.
Mas, independentemente do resultado do segundo turno, uma derrota política mais profunda do lulo-petismo já começou.
Porque a degeneração da política que atingiu o coração do governo-partido aborreceu seu público mais íntegro e criativo. Quem tinha um pouco de honestidade e espírito inovador não via a hora de pular fora daquele antro.
Quando apareceu uma candidatura alternativa, como a de Marina, a porta se escancarou. Militantes, simpatizantes e eleitores que ainda votavam no petismo para não parecer retrógrados acorreram para a saída, aos milhões.Marina contribuiu para separar o joio do trigo numa base eleitoral que o governo acreditava cativa.
Abriu uma fenda no esquema neopopulista, que só tende a se alargar. Lula e o PT ficaram com o joio.
Restaram-lhes, além das vítimas do clientelismo assistencialista e os mesmerizados pela sua retórica, os militantes mais deformados e os negocistas da política.
Tudo isso dependeu, em parte, do discurso inovador de Marina, mas, muito mais, da situação que objetivamente se configurou.
Mesmo que ela, Marina - tentada a se construir como liderança mítica substituta de Lula ou como chefe de uma espécie de "PT do bem"-, não recomende o voto em Serra no segundo turno (o que seria um erro), o estrago no lulo-petismo está feito.
AUGUSTO DE FRANCO, 60, escritor, é autor, entre outras obras, de "Alfabetização Democrática". Foi conselheiro e membro do Comitê Executivo da Comunidade Solidária durante o governo FHC (1995-2002). Foi membro da direção nacional do Partido dos Trabalhadores de 1982 a 1993.
Augusto de Franco
Marina contribuiu para separar o joio do trigo em uma base eleitoral que o governo acreditava cativa e abriu fenda no esquema neopopulista
Contra fatos não há argumentos.
E "o dado concreto" é que os brasileiros, em sua maioria, não apoiaram o terceiro mandato de Lula (por interposta pessoa).
Os quase 47% dos votos de Dilma configuram uma derrota política, se considerarmos o fortíssimo empenho da máquina estatal a favor de sua candidatura e o engajamento exorbitante do presidente da República -como "nunca antes se viu neste país"- em prol da sua vitória no primeiro turno.
Com efeito, Lula abandonou a sua posição de magistrado para se engajar na guerra eleitoral da forma mais rasteira, transformando vítimas em culpados, levantando solertes suspeições, falsificando a opinião pública, investindo contra a liberdade de imprensa.
Ele cometeu esse erro porque estufou com seus 80% de popularidade. Perigo!
Em política, a hiperinflação do ego costuma vir acompanhada de pretensões despóticas. E o sujeito possuído pelo mito que criou sobre si mesmo acredita-se o único eleitor e acaba confundindo popularidade com legitimidade.
Em certa época, 99% dos albaneses achavam o governo do ditador Hoxha ótimo ou bom. Saddam, nos seus tempos de glória, alcançou 96% de aprovação dos iraquianos. Fujimori, quando deu um golpe em 1992, dissolvendo o Congresso e intervindo no Judiciário, chegou a 80% de popularidade no Peru.
Na lista das duas dezenas de ditadores remanescentes, de Lukashenko (em Belarus) a José Eduardo (em Angola), de Kim Jong Il (na Coreia) a Gaddafi (na Líbia), dos irmãos Castro (em Cuba) a Mugabe (no Zimbábue) passando por al-Bashir (no Sudão), temos um verdadeiro festival de campeões de popularidade.
Todos esses autocratas, a despeito dos votos que teriam ou tiveram, eram e são ilegítimos. Lula deveria refletir sobre isso.
Mas, independentemente do resultado do segundo turno, uma derrota política mais profunda do lulo-petismo já começou.
Porque a degeneração da política que atingiu o coração do governo-partido aborreceu seu público mais íntegro e criativo. Quem tinha um pouco de honestidade e espírito inovador não via a hora de pular fora daquele antro.
Quando apareceu uma candidatura alternativa, como a de Marina, a porta se escancarou. Militantes, simpatizantes e eleitores que ainda votavam no petismo para não parecer retrógrados acorreram para a saída, aos milhões.Marina contribuiu para separar o joio do trigo numa base eleitoral que o governo acreditava cativa.
Abriu uma fenda no esquema neopopulista, que só tende a se alargar. Lula e o PT ficaram com o joio.
Restaram-lhes, além das vítimas do clientelismo assistencialista e os mesmerizados pela sua retórica, os militantes mais deformados e os negocistas da política.
Tudo isso dependeu, em parte, do discurso inovador de Marina, mas, muito mais, da situação que objetivamente se configurou.
Mesmo que ela, Marina - tentada a se construir como liderança mítica substituta de Lula ou como chefe de uma espécie de "PT do bem"-, não recomende o voto em Serra no segundo turno (o que seria um erro), o estrago no lulo-petismo está feito.
AUGUSTO DE FRANCO, 60, escritor, é autor, entre outras obras, de "Alfabetização Democrática". Foi conselheiro e membro do Comitê Executivo da Comunidade Solidária durante o governo FHC (1995-2002). Foi membro da direção nacional do Partido dos Trabalhadores de 1982 a 1993.
TFP - Trapalhadas, Falcatruas e Picaretagens
TFP - Trapalhadas, Falcatruas e Picaretagens
Reinaldo Azevedo
José Eduardo Dutra, presidente do PT, sempre tão eloqüente no Twitter, famoso por seu senso de humor petista, chapa de um monte de jornalistas desde os tempos em que era senador, parece à beira de um ataque dos nervos.
Eu o vi ontem na TV: estava lívido. E promete reagir. Já chego lá.
Eu continuo não sabendo quem vai ganhar as eleições.
Todos aqueles que sabiam e que estavam certos de que Dilma Rousseff, do PT, venceria o embate já no primeiro turno quebraram a cara, foram desmoralizados — foram, na verdade, derrotados. Não se deram por vencidos.
Correram atrás de uma explicação e, em sociedade com o PT, resolveram “culpar” por seu erro a suposta migração do voto evangélico ou, mais amplamente, cristão.
O tiro saiu pela culatra. Acabaram criando uma causa.
Não sei quem vai ganhar, mas que é divertido ver o desespero de petistas, ah, isso é.
Acostumaram-se a ser os comandantes da boataria; acostumaram-se a destruir reputações na Internet; acostumaram-se a pautar a imprensa contra adversários — e são ainda bastante poderosos nisso.
Mas, desta feita, estão em palpos de aranha, esperneando, tentando escapar da armadilha que acabaram criando para si mesmos. A palavra de ordem da hora é ameaçar os “adversários” com uma tempestade de ações judiciais e com a polícia. Só que há um probleminha aí.
Em 2006, os petistas inventaram que Geraldo Alckmin iria privatizar a Petrobras, a CEF e o Banco do Brasil. A mentira pegou. NENHUM JORNALISTA CHAMOU AQUILO DE “BAIXARIA”.
Em 2010, o que pegou foi a verdade: Dilma efetivamente concedeu aquelas entrevistas defendendo a descriminação e a legalização do aborto. E agora se equilibra na corda bamba.
Ontem à noite, ela se dizia “contra o aborto”. A favor, convenham, ninguém é. A questão está na criminalização ou não da prática. Sem truques, candidata!
Polícia Federal
Os petistas são doidos para chamar a Polícia Federal. Em 2006, diga-se, ela precisou ser chamada — contra os aloprados do PT, não é mesmo? Ontem, Dutra anunciou — segundo informava Andrea Jubé Vianna no Estadão Online — que pedira à PF ”a abertura de inquérito para investigar a autoria” de um panfleto supostamente distribuído pela TFP (Tradição, Família e Propriedade) no encontro de oposicionistas ocorrido na quarta. Segundo a reportagem, “o texto orienta como difundir uma campanha contra Dilma na internet.”
Duas coisas:
1- Dutra pode pedir, no máximo, à PF que investigue alguma coisa. O órgão vai decidir se cabe investigação ou não. Não é o presidente do PT que decide se há inquérito ou não;
2 - o tal panfleto nem toca no nome de Dilma Rousseff nem orienta campanha.
Eis o PT trabalhando, apostando na confusão. Agora vamos pensar o conjunto da obra.
O tal papelucho atribuído à TFP, que não aceita mulheres, estava sendo distribuído por uma… mulher!
A organização, que está rachada no Brasil, mal existe.
As correntes mais tradicionais da Igreja Católica não costumam querer qualquer proximidade com a TFP, que, enquanto teve alguma importância, recusava a autoridade do Vaticano.
Mas isso ainda poderia ser o de menos. O fundamental vem agora: por que diabos alguém distribuiria um panfleto anti-PT ou anti-Dilma (o nome dela nem aparece no texto) num encontro de oposicionistas?
Para convencer quem do quê? Com que propósito?
Quem quer que tenha tomado tal iniciativa buscava, evidentemente, associar as oposições a um grupo ultra-reacionário, que, em tese ao menos (se tivesse existência real), vive às turras com a autoridade do próprio papa.
A quem interessa tal associação? Ao PSDB? Seria conveniente mesmo que a Polícia Federal investigasse. Afinal, tucano não é jumento.
A lambança toda não deixa de ter um aspecto curioso porque o trecho do papelucho que mais “chocou” diz o seguinte sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos:
“O PNDH-3 é um projeto de lei que tem por objetivo implantar em nossas leis a legalização do aborto, acabar com o direito da propriedade privada, limitar a liberdade religiosa, perseguir cristãos, legalizar a prostituição (e onde fica a dignidade dessas mulheres?), manipular e controlar os meios de comunicação, acabar com a liberdade de imprensa, taxas sobre fortunas o que afastará investimentos, dentre outros. É um decreto preparatório para um regime ditatorial“.
A pessoa que o redigiu para tentar, evidentemente, transformar as oposições em algozes e os petistas em vítimas — dando a Dutra a chance de pedir à PF “a abertura de um inquérito” (como se ele pudesse…) — soube ser bastante realista ao resumir o plano. Uma tramóia, afinal, precisa ser verossímil.
Vejam:
1 - Aborto - o plano, com efeito, trazia como diretriz a legalização do aborto. Tanto trazia que Lula foi obrigado a recuar. Estava lá não “Ação G” do Objetivo Estratégico III:
g) Apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos.
( ) verdade ( ) mentira
Como ficou - Diante dos protestos, o governo mudou o texto, que ficou assim: “Considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde”. É uma forma oblíqua de defender a descriminação, é claro.
2 - Direito de Propriedade - o plano, com efeito, relativiza o direito de propriedade ao propor que juízes só determinem a reintegração de posse de área invadida depois de promover audiências de que participem os invasores. Temos lá na “Ação D” do “Objetivo Estratégico VI:
d) Propor projeto de lei para institucionalizar a utilização da mediação como ato inicial das demandas de conflitos agrários e urbanos, priorizando a realização de audiência coletiva com os envolvidos, com a presença do Ministério Público, do poder público local, órgãos públicos especializados e Polícia Militar, como medida preliminar à avaliação da concessão de medidas liminares, sem prejuízo de outros meios institucionais para solução de conflitos.
( ) verdade ( ) mentira
Como ficou - Nesse caso, a mudança foi ridícula. Manteve a proposta da audiência com invasores, mas “sem prejuízo de outros meios institucionais”.
3 - Perseguição religiosa - o plano, com efeito, defendia uma variante de perseguição religiosa ao determinar, na prática, que todos os crucifixos fossem retirados de repartições públicas. Está lá na “Ação C” do Objetivo Estratégico VI:
c) Desenvolver mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União.
( ) verdade ( ) mentira
A proposta foi eliminada na nova redação.
4 - Prostituição - O plano, com efeito, propõe a regulamentação da prostituição na “Ação N” do Objetivo Estratégico VI, a saber:
“Garantir os direitos trabalhistas e previdenciários de profissionais do sexo por meio da regulamentação de sua profissão.
( ) verdade ( ) mentira
A proposta foi mantida.
5 - Liberdade de imprensa - o plano, com efeito, instituía uma forma oblíqua de censura em vários trechos. Cito a “Ação A” do Objetivo Estratégico I, entre outras:
a) Propor a criação de marco legal regulamentando o art. 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) concedidos, permitidos ou autorizados, como condição para sua outorga e renovação, prevendo penalidades administrativas como advertência, multa, suspensão da programação e cassação, de acordo com a gravidade das violações praticadas.
( ) verdade ( ) mentira
Como ficou - A nova redação se limite a falar na regulamentação do artigo 221 da Constituição, sem os outros penduricalhos.
6 - Taxação de Grandes fortunas - O plano, com efeito, essa diretriz na Ação D do Objetivo Estratégico II:
d) Regulamentar a taxação do imposto sobre grandes fortunas previsto na Constituição.
A proposta foi mantida.
Caminhando para o encerramento
Pronto! Se o inquérito for aberto, já quebrei um galhão para a PF. O trecho pode omitir algumas pequenas mudanças, mas mentiroso, em si mesmo, não é. Assim, é preciso, então, investigar outra coisa: quem estava circulando numa reunião de oposicionistas, dizendo-se da TFP, cometendo a ridicularia de distribuir panfletos contra o governo numa reunião que já é, por natureza, antigoverno, depositando-os, de modo estratégico, na mesa do cafezinho?…
O anúncio de Dutra é uma tentativa de criminalizar as oposições para tentar tirar o foco do essencial nesse caso: as declarações dadas por Dilma em favor da descriminalização do aborto e a histórica e comprovada militância do PT e do governo Lula em favor dessa causa.
É ou não é, Dutra? Por enquanto, os truques não estão funcionando.
Reinaldo Azevedo
José Eduardo Dutra, presidente do PT, sempre tão eloqüente no Twitter, famoso por seu senso de humor petista, chapa de um monte de jornalistas desde os tempos em que era senador, parece à beira de um ataque dos nervos.
Eu o vi ontem na TV: estava lívido. E promete reagir. Já chego lá.
Eu continuo não sabendo quem vai ganhar as eleições.
Todos aqueles que sabiam e que estavam certos de que Dilma Rousseff, do PT, venceria o embate já no primeiro turno quebraram a cara, foram desmoralizados — foram, na verdade, derrotados. Não se deram por vencidos.
Correram atrás de uma explicação e, em sociedade com o PT, resolveram “culpar” por seu erro a suposta migração do voto evangélico ou, mais amplamente, cristão.
O tiro saiu pela culatra. Acabaram criando uma causa.
Não sei quem vai ganhar, mas que é divertido ver o desespero de petistas, ah, isso é.
Acostumaram-se a ser os comandantes da boataria; acostumaram-se a destruir reputações na Internet; acostumaram-se a pautar a imprensa contra adversários — e são ainda bastante poderosos nisso.
Mas, desta feita, estão em palpos de aranha, esperneando, tentando escapar da armadilha que acabaram criando para si mesmos. A palavra de ordem da hora é ameaçar os “adversários” com uma tempestade de ações judiciais e com a polícia. Só que há um probleminha aí.
Em 2006, os petistas inventaram que Geraldo Alckmin iria privatizar a Petrobras, a CEF e o Banco do Brasil. A mentira pegou. NENHUM JORNALISTA CHAMOU AQUILO DE “BAIXARIA”.
Em 2010, o que pegou foi a verdade: Dilma efetivamente concedeu aquelas entrevistas defendendo a descriminação e a legalização do aborto. E agora se equilibra na corda bamba.
Ontem à noite, ela se dizia “contra o aborto”. A favor, convenham, ninguém é. A questão está na criminalização ou não da prática. Sem truques, candidata!
Polícia Federal
Os petistas são doidos para chamar a Polícia Federal. Em 2006, diga-se, ela precisou ser chamada — contra os aloprados do PT, não é mesmo? Ontem, Dutra anunciou — segundo informava Andrea Jubé Vianna no Estadão Online — que pedira à PF ”a abertura de inquérito para investigar a autoria” de um panfleto supostamente distribuído pela TFP (Tradição, Família e Propriedade) no encontro de oposicionistas ocorrido na quarta. Segundo a reportagem, “o texto orienta como difundir uma campanha contra Dilma na internet.”
Duas coisas:
1- Dutra pode pedir, no máximo, à PF que investigue alguma coisa. O órgão vai decidir se cabe investigação ou não. Não é o presidente do PT que decide se há inquérito ou não;
2 - o tal panfleto nem toca no nome de Dilma Rousseff nem orienta campanha.
Eis o PT trabalhando, apostando na confusão. Agora vamos pensar o conjunto da obra.
O tal papelucho atribuído à TFP, que não aceita mulheres, estava sendo distribuído por uma… mulher!
A organização, que está rachada no Brasil, mal existe.
As correntes mais tradicionais da Igreja Católica não costumam querer qualquer proximidade com a TFP, que, enquanto teve alguma importância, recusava a autoridade do Vaticano.
Mas isso ainda poderia ser o de menos. O fundamental vem agora: por que diabos alguém distribuiria um panfleto anti-PT ou anti-Dilma (o nome dela nem aparece no texto) num encontro de oposicionistas?
Para convencer quem do quê? Com que propósito?
Quem quer que tenha tomado tal iniciativa buscava, evidentemente, associar as oposições a um grupo ultra-reacionário, que, em tese ao menos (se tivesse existência real), vive às turras com a autoridade do próprio papa.
A quem interessa tal associação? Ao PSDB? Seria conveniente mesmo que a Polícia Federal investigasse. Afinal, tucano não é jumento.
A lambança toda não deixa de ter um aspecto curioso porque o trecho do papelucho que mais “chocou” diz o seguinte sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos:
“O PNDH-3 é um projeto de lei que tem por objetivo implantar em nossas leis a legalização do aborto, acabar com o direito da propriedade privada, limitar a liberdade religiosa, perseguir cristãos, legalizar a prostituição (e onde fica a dignidade dessas mulheres?), manipular e controlar os meios de comunicação, acabar com a liberdade de imprensa, taxas sobre fortunas o que afastará investimentos, dentre outros. É um decreto preparatório para um regime ditatorial“.
A pessoa que o redigiu para tentar, evidentemente, transformar as oposições em algozes e os petistas em vítimas — dando a Dutra a chance de pedir à PF “a abertura de um inquérito” (como se ele pudesse…) — soube ser bastante realista ao resumir o plano. Uma tramóia, afinal, precisa ser verossímil.
Vejam:
1 - Aborto - o plano, com efeito, trazia como diretriz a legalização do aborto. Tanto trazia que Lula foi obrigado a recuar. Estava lá não “Ação G” do Objetivo Estratégico III:
g) Apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos.
( ) verdade ( ) mentira
Como ficou - Diante dos protestos, o governo mudou o texto, que ficou assim: “Considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde”. É uma forma oblíqua de defender a descriminação, é claro.
2 - Direito de Propriedade - o plano, com efeito, relativiza o direito de propriedade ao propor que juízes só determinem a reintegração de posse de área invadida depois de promover audiências de que participem os invasores. Temos lá na “Ação D” do “Objetivo Estratégico VI:
d) Propor projeto de lei para institucionalizar a utilização da mediação como ato inicial das demandas de conflitos agrários e urbanos, priorizando a realização de audiência coletiva com os envolvidos, com a presença do Ministério Público, do poder público local, órgãos públicos especializados e Polícia Militar, como medida preliminar à avaliação da concessão de medidas liminares, sem prejuízo de outros meios institucionais para solução de conflitos.
( ) verdade ( ) mentira
Como ficou - Nesse caso, a mudança foi ridícula. Manteve a proposta da audiência com invasores, mas “sem prejuízo de outros meios institucionais”.
3 - Perseguição religiosa - o plano, com efeito, defendia uma variante de perseguição religiosa ao determinar, na prática, que todos os crucifixos fossem retirados de repartições públicas. Está lá na “Ação C” do Objetivo Estratégico VI:
c) Desenvolver mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União.
( ) verdade ( ) mentira
A proposta foi eliminada na nova redação.
4 - Prostituição - O plano, com efeito, propõe a regulamentação da prostituição na “Ação N” do Objetivo Estratégico VI, a saber:
“Garantir os direitos trabalhistas e previdenciários de profissionais do sexo por meio da regulamentação de sua profissão.
( ) verdade ( ) mentira
A proposta foi mantida.
5 - Liberdade de imprensa - o plano, com efeito, instituía uma forma oblíqua de censura em vários trechos. Cito a “Ação A” do Objetivo Estratégico I, entre outras:
a) Propor a criação de marco legal regulamentando o art. 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) concedidos, permitidos ou autorizados, como condição para sua outorga e renovação, prevendo penalidades administrativas como advertência, multa, suspensão da programação e cassação, de acordo com a gravidade das violações praticadas.
( ) verdade ( ) mentira
Como ficou - A nova redação se limite a falar na regulamentação do artigo 221 da Constituição, sem os outros penduricalhos.
6 - Taxação de Grandes fortunas - O plano, com efeito, essa diretriz na Ação D do Objetivo Estratégico II:
d) Regulamentar a taxação do imposto sobre grandes fortunas previsto na Constituição.
A proposta foi mantida.
Caminhando para o encerramento
Pronto! Se o inquérito for aberto, já quebrei um galhão para a PF. O trecho pode omitir algumas pequenas mudanças, mas mentiroso, em si mesmo, não é. Assim, é preciso, então, investigar outra coisa: quem estava circulando numa reunião de oposicionistas, dizendo-se da TFP, cometendo a ridicularia de distribuir panfletos contra o governo numa reunião que já é, por natureza, antigoverno, depositando-os, de modo estratégico, na mesa do cafezinho?…
O anúncio de Dutra é uma tentativa de criminalizar as oposições para tentar tirar o foco do essencial nesse caso: as declarações dadas por Dilma em favor da descriminalização do aborto e a histórica e comprovada militância do PT e do governo Lula em favor dessa causa.
É ou não é, Dutra? Por enquanto, os truques não estão funcionando.
FESTA NA VÉSPERA
Este artigo foi escrito nas vésperas do primeiro turno. A análise é perfeita.
FESTA NA VÉSPERA - por Míriam Leitão
Então é isso? Uma eleição cuja campanha começou antes da hora acabou antes que os votos sejam depositados na urna? A vencedora de véspera já estendeu a mão, magnânima, à oposição; seus dois maiores caciques começaram uma briga intestina; cargos são distribuídos entre os partidos da base e os assessores já preparam os planos e projetos.
Fala-se do futuro como inexorável.
O quadro está amplamente favorável a Dilma Rousseff, mas é preciso ter respeito pelo processo eleitoral.
Se pesquisa fosse voto, era bem mais simples e barato escolher o governante. Imagina o tempo e o dinheiro poupado se pesquisas, 30 dias antes do pleito, fossem suficientes para o processo de escolha? A estrutura da Justiça Eleitoral, as urnas distribuídas num país continental, mesários trabalhando o dia inteiro, computadores contando votos; nada disso seria necessário. Mas como eleição é a democracia num momento supremo, respeitá-la é essencial.
Os que estão em vantagem, e os que estão em desvantagem, não podem considerar o processo terminado porque isso amputa a melhor parte da democracia, encerra prematuramente o precioso tempo do debate e das escolhas.
Dilma já sabe até o que fará depois de ser eleita, como disse na sexta-feira: "A gente desarma o palanque e estende a mão para quem for pessoa de boa vontade e quiser partilhar desse processo de transformação do Brasil." Os jornalistas insistiram, ela ficou no mesmo tom: "Estendo a mão para quem quiser partilhar. Eu não sei se ele (Serra) quer. Você pergunta para ele, se ele quiser, perfeitamente." Avisou que se alguém recusasse, não haveria problema: "Pode ficar sem estender a mão, como oposição numa boa que vai ter dinheiro." Já está até distribuindo o dinheiro público.
Feio, muito feio.
Por mais animador que seja para Dilma os resultados da pesquisa - e deve ser difícil segurar a ansiedade - ela deveria pensar em algumas coisas antes.
Primeiro, que falta o principal para ela ganhar: o voto na urna.
Segundo, que o eleitor muda de ideia na hora que quer, porque para isso é livre.
Terceiro, que, novata em eleição, deve seu sucesso a fatores externos a ela: o presidente Lula, o momento econômico e a eficiência dos seus marqueteiros.
Aliás, o marketing de Dilma tem sido tão eficiente em aparar todas as arestas de sua personalidade que criou uma pessoa que nem ela deve conhecer.
O salto alto não é só dela, a bem da verdade.
A síndrome das favas contadas se espalha por todo o seu entorno, cada vez mais desenvolto.
Por isso já começaram a brigar os generais de cada uma das bandas: Antonio Palocci e José Dirceu.
Da última vez que brigaram, os dois caíram. A disputa dos partidos da base de apoio pelos cargos públicos, como se fossem os despojos da guerra já vencida, é um espetáculo que informa muito sobre valores, critérios e métodos do grupo.
A desenvoltura do já ganhou é tanta que até o presidente Lula, dono da escolha autocrática de Dilma, parece meio enciumado e reclamou que já falam dele no passado. E avisou: "Ainda tenho caneta para fazer muita miséria."
A declaração inteira é reveladora: "Tem gente que fica falando aqui como se eu já tivesse ido embora, mas ainda tenho quatro meses e alguns dias de governo. Alguns falam como se eu já tivesse ido. Tem gente que se mata para ser presidente por um dia e ainda tenho quatro meses e alguns dias. Ainda tenho a caneta para fazer muita miséria nesse país."
O sentimento é um perigo. O presidente Lula já está fazendo miséria.
Atropelou o calendário eleitoral, zombou das multas na Justiça, pôs o governo que dirige para trabalhar pela sua candidata como se a máquina pública fosse um partido político.
"A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las."
FESTA NA VÉSPERA - por Míriam Leitão
Então é isso? Uma eleição cuja campanha começou antes da hora acabou antes que os votos sejam depositados na urna? A vencedora de véspera já estendeu a mão, magnânima, à oposição; seus dois maiores caciques começaram uma briga intestina; cargos são distribuídos entre os partidos da base e os assessores já preparam os planos e projetos.
Fala-se do futuro como inexorável.
O quadro está amplamente favorável a Dilma Rousseff, mas é preciso ter respeito pelo processo eleitoral.
Se pesquisa fosse voto, era bem mais simples e barato escolher o governante. Imagina o tempo e o dinheiro poupado se pesquisas, 30 dias antes do pleito, fossem suficientes para o processo de escolha? A estrutura da Justiça Eleitoral, as urnas distribuídas num país continental, mesários trabalhando o dia inteiro, computadores contando votos; nada disso seria necessário. Mas como eleição é a democracia num momento supremo, respeitá-la é essencial.
Os que estão em vantagem, e os que estão em desvantagem, não podem considerar o processo terminado porque isso amputa a melhor parte da democracia, encerra prematuramente o precioso tempo do debate e das escolhas.
Dilma já sabe até o que fará depois de ser eleita, como disse na sexta-feira: "A gente desarma o palanque e estende a mão para quem for pessoa de boa vontade e quiser partilhar desse processo de transformação do Brasil." Os jornalistas insistiram, ela ficou no mesmo tom: "Estendo a mão para quem quiser partilhar. Eu não sei se ele (Serra) quer. Você pergunta para ele, se ele quiser, perfeitamente." Avisou que se alguém recusasse, não haveria problema: "Pode ficar sem estender a mão, como oposição numa boa que vai ter dinheiro." Já está até distribuindo o dinheiro público.
Feio, muito feio.
Por mais animador que seja para Dilma os resultados da pesquisa - e deve ser difícil segurar a ansiedade - ela deveria pensar em algumas coisas antes.
Primeiro, que falta o principal para ela ganhar: o voto na urna.
Segundo, que o eleitor muda de ideia na hora que quer, porque para isso é livre.
Terceiro, que, novata em eleição, deve seu sucesso a fatores externos a ela: o presidente Lula, o momento econômico e a eficiência dos seus marqueteiros.
Aliás, o marketing de Dilma tem sido tão eficiente em aparar todas as arestas de sua personalidade que criou uma pessoa que nem ela deve conhecer.
O salto alto não é só dela, a bem da verdade.
A síndrome das favas contadas se espalha por todo o seu entorno, cada vez mais desenvolto.
Por isso já começaram a brigar os generais de cada uma das bandas: Antonio Palocci e José Dirceu.
Da última vez que brigaram, os dois caíram. A disputa dos partidos da base de apoio pelos cargos públicos, como se fossem os despojos da guerra já vencida, é um espetáculo que informa muito sobre valores, critérios e métodos do grupo.
A desenvoltura do já ganhou é tanta que até o presidente Lula, dono da escolha autocrática de Dilma, parece meio enciumado e reclamou que já falam dele no passado. E avisou: "Ainda tenho caneta para fazer muita miséria."
A declaração inteira é reveladora: "Tem gente que fica falando aqui como se eu já tivesse ido embora, mas ainda tenho quatro meses e alguns dias de governo. Alguns falam como se eu já tivesse ido. Tem gente que se mata para ser presidente por um dia e ainda tenho quatro meses e alguns dias. Ainda tenho a caneta para fazer muita miséria nesse país."
O sentimento é um perigo. O presidente Lula já está fazendo miséria.
Atropelou o calendário eleitoral, zombou das multas na Justiça, pôs o governo que dirige para trabalhar pela sua candidata como se a máquina pública fosse um partido político.
"A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las."
Assinar:
Postagens (Atom)