sábado, 7 de maio de 2016

SEXTA 13, DIA SEM BRUXA


Guilherme Fiuza

Os democratas que defendem Dilma e a quadrilha do petrolão contra o golpe de Sérgio Moro estão discretamente eufóricos. Os tanques da direita, que vieram arrancar a presidenta mulher à força do palácio, resolverão todos os seus problemas. Estava desconfortável (e, o que é mais grave, trabalhoso) esse negócio de ser governo.

Foram anos de sofrimento para continuar do contra, sendo a favor. Foi preciso instaurar o primeiro governo de oposição da história – e não pensem que isso é fácil. Aumentar os juros e gritar contra os juros altos, roubar o Estado e denunciar a corrupção, devastar a economia popular e defender o povo… Isso cansa uma pessoa.

Mas deu tudo certo: após 13 anos e meio de poupança ortodoxa, com propinas por fora e por dentro, valerioduto e pixulecos garantindo o formidável abastecimento do caixa partidário, chegou a hora de desfrutar. A elite vermelha volta para o presépio dos oprimidos, gorda e rica, só para jogar pedras – o que faz um bem danado à alma progressista e quase não suja as mãos. Mas eis que surge o revés inesperado.

Quando os professores de História já abrilhantavam suas aulas-comício, inserindo o golpe contra os imaculados parasitas para entregar o Brasil ao PMDB de Eduardo Cunha, viraram a mesa. Num ato sem precedentes, o Supremo Tribunal Federal destituiu o presidente da Câmara dos Deputados. Cunha caiu. E agora?

Foi um golpe duro demais para os democratas. É verdade que eles ainda têm o Bolsonaro, a PM de São Paulo, o Trump e a Guerra do Vietnã, mas a perda de um Eduardo Cunha não se repõe facilmente. Quem o STF pensa que é para cometer uma arbitrariedade dessas? Como os homens de bem farão, a partir de agora, para defender Lula – e todos os seus crimes progressistas denunciados pelo procurador-geral – sem poder gritar que bandido é o Cunha? A Anistia Internacional não está vendo isso?

O Prêmio Nobel da Paz está. Pelo menos um dos seus detentores, o escritor argentino Adolfo Pérez Esquivel, parceiro de Cristina Kirchner, Nicolás Maduro e toda essa turma boa que ama a democracia (amor infelizmente não correspondido). Pérez Esquivel fez história no Senado brasileiro ao denunciar o golpe de Estado contra Dilma Rousseff. E atenção: o golpe foi executado por Eduardo Cunha, o mau. Quem sabe até o seu afastamento agora não foi uma espécie de queima de arquivo?

Aí vem o relator da comissão do impeachment, naquela mesma bancada onde um Nobel da Paz fez história, e expõe de forma monótona, sem um pingo de glamour, todos os crimes cometidos por Dilma Rousseff no exercício da Presidência da República. Esse aí nunca vai ganhar um Nobel. Além de tudo, é estraga-prazeres: mostrou de forma absolutamente desagradável que Eduardo Cunha não tem nada a ver com o impeachment – apenas o colocou em votação. A Anistia Internacional não está vendo isso?

Nos dois anos de literatura da Lava-Jato, entende-se de onde vieram os bilhões de reais que bancam há anos os advogados mais caros do país para os guerreiros do povo brasileiro; que bancam há anos as campanhas eleitorais nababescas pelas quais o PT se tornou o feliz proprietário dos Três Poderes; que compraram movimentos sociais (sic), entidades de classe, jornalistas com indignação tabelada, espalhadores de boatos e manifestantes profissionais. Mas nada é tão poético quanto um pedido de propinas retroativas – atribuído ao companheiro Ricardo Berzoini pelo ex-presidente da Andrade Gutierrez.

Segundo Otavio Azevedo, o então presidente do PT e atual ministro da golpeada e oprimida Dilma avisou, em 2008, que a empreiteira deveria pagar propinas sobre as obras feitas desde 2003 (ano em que o Brasil foi redescoberto). O apetite dos representantes desse governo progressista é conhecido, vide seus tesoureiros presos e o envolvimento de todos – todos – os seus principais líderes em negociatas democráticas e revolucionárias. A conta é a seguinte: quem foi mais importante na construção heroica da atual pindaíba nacional? A gangue do Lula ou a do Eduardo Cunha?

Quem acertar ganha um Nobel da Paz e meio quilo de mortadela.

Da última vez em que o Brasil viveu um impeachment, o governo passou às mãos de um presidente filiado ao PMDB. O que se impôs, então, não foi uma orgia fisiológica – foi o Plano Real. Itamar Franco foi obrigado pela ruína política e econômica a dar poder ao Brasil que trabalha. Michel Temer está na mesma situação.

Os prognósticos apontam para a sexta-feira 13 o fim da agonia. Descerá a rampa, então, a criatura que Lula inventou para tomar conta da porta, enquanto eles limpavam a casa. Uma criatura que os brasileiros incrivelmente engoliram – mesmo que, diante dela, um Tiririca seja praticamente um Churchill. Tchau, querida.


A parada agora é entre o Brasil que trabalha e o Brasil que atrapalha.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Nosso pedalinho sem rumo no mar


Um erro e um acerto neste instante em que compõe a delicada costura da equipe ministerial de um governo anunciado, mas ainda apenas cogitado, mostram que o quase presidente Michel Temer vai precisar de boas doses de juízo e sorte, se vier mesmo a ocupar a presidência da República semana que vem. Para começar, ele está sendo posto à prova na hora de escolher quem chefiará as pastas da Justiça e da Fazenda, que mais merecem atenção e preocupação da população brasileira, assolada pelas mais destrutivas crises moral, política e econômica da História.

Antes de nomear o ministro da Justiça, já se pode deduzir que sorte não lhe faltou quando lhe foi dada a oportunidade de desistir da primeira indicação ao posto que tem de enfrentar o descompasso entre a paixão das massas e o medo de seus representantes. De um ministro equilibrado, isento e competente depende o destino, de um lado, da Operação Lava Jato, que devassa o espetacular escândalo de corrupção que assola a República, reunindo Santo André, Mensalão e Petrolão. E, de outro, de elites políticas e empresariais que gestaram e geriram um propinoduto inimaginável, praticado no superfaturamento de obras e tenebrosas transações contábeis. E que, saindo de uma antiga prática maligna existente desde sempre e em todo lugar, ultrapassaram todos os limites da usura e da indecência.

Professor de Direito Constitucional, advogado com longa prática e político de experiência sabida com habilidade notória, Temer encontrou na mesa que divide semanalmente em bons restaurantes de São Paulo o nome indicado para ajudá-lo na caminhada sobre um piso de ovos em brasa. Ocorreu-lhe um dos amigos mais próximos com a vantagem aparente de também ser um advogado respeitado pela competência como age no exercício de uma profissão que exige talento, conhecimento de causa e prática de ofício. Antônio Cláudio Mariz de Oliveira dispõe de ótimo currículo para assumir o posto e a missão. O problema é que parece lhe faltar a temperança exigida, como demonstrou ao exibir a sede com que foi ao pote ao dar entrevistas que o queimaram, a ponto de excluí-lo da lista de preferências do amigo prestes a ocupar o posto mais poderoso da República. Pelo visto, faltou-lhe calma para esperar a poeira assentar antes de se apresentar sofregamente ao distinto público. E, em segundo lugar, não parece ter tato diplomático para cuidar da loja de louças que se configura a Polícia Federal (PF), que ficaria sob sua batuta.

O preferido de Temer para o Ministério da Justiça tornou-se inviável para o cargo antes sequer de ser cogitado pelo amigo. Isso ocorreu quando participou de um grupo de ilustres e bem remunerados advogados, que defendem os próprios interesses e os de seus abastados clientes E que se mostraram cegos e surdos à necessidade que o país sente e a massa reconhece, a ponto de se apaixonar, de debelar a velha impunidade, raiz de todos os males da política e da economia nesta República combalida. O manifesto dos “juristas” contra a Operação Lava Jato partiu de duas premissas equivocadas. A primeira é que nem todo criminalista é necessariamente um respeitável jurista. E a segunda, que os excelentes e aplaudidos resultados da devassa da PF, do Ministério Público Federal (MPF) e do juiz federal do Paraná Sergio Moro na maior roubalheira de todos os tempos no país, quiçá do mundo, não devem ser tratados como lana caprina por um chefe de governo que substitui a desvairada chefona de um desgoverno caindo sob o peso de denúncias na tal devassa.

Temer errou ao calcular mal o passo, dando-o na direção errada da amizade e, com isso, esquecendo-se daquela frase famosa de Charles de Gaulle, segundo a qual “a maior virtude de um estadista é a ingratidão”. Nas entrevistas que deu aos jornais, Mariz de Oliveira nada disse que já não tivesse dito antes. Mas só isso já foi o suficiente para que a tempestade desabasse sobre sua cabeça. E bastou para seu nome ser riscado do rol dos preferidos do futuro chefe do governo. Este mostrou juízo ao perceber que foi uma sorte grande ter sido posto diante da inviabilidade do indicado para a missão que imaginava lhe dar. Ao preferir evitar a tempestade anunciada a enfrentá-la, Temer mostrou que tem juízo. “Errar é humano”, diziam os fundadores do Direito romano. “Mas insistir no erro é diabólico”.

O grave, no caso, é que Temer parecia não ter percebido que repetiria o erro em sequência que Dilma Rousseff, sua antiga parceira de palanque e atual inimiga figadal, cometeu nos últimos dias ao tentar substituir seu agora advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que era ministro da Justiça. Ela nomeou dois procuradores da República e teve de jogar o primeiro, Wellington César de Lima e Silva, ao mar. Mas manteve o segundo, Eugênio Aragão, aos trancos e barrancos, com o pescoço sob a lâmina afiada da espada de Dâmocles de uma contestação judicial no Supremo. A contestação às nomeações infelizes da presidente provisória é que ambos são promotores de carreira. A nomeação é proibida pela Constituição vigente. Não por implicância dos constituintes, mas pela evidência de que, sendo parte, o Ministério Público não é a carreira adequada em que presidentes possam escolher chefes da pasta encarregada de julgar qual dessas partes tem razão. A Constituição não proíbe que criminalistas ocupem o Ministério da Justiça, mas a boa razão não aconselha essa iniciativa, de vez que estes, principalmente os mais notáveis, caso de Mariz, empenham seu talento e seu prestígio para defender clientes acusados de corrupção pesada. É algo similar ao ocorrido com o criminalista favorito de Lula da Silva, Márcio Thomaz Bastos, competente defensor dele e de seus comparsas, mas inadequado ministro da Justiça para a nação, exatamente quando mais esta precisa de um.

Juízo e sorte Temer ainda mostrou ter no acerto: quando, diante da farta oferta de economistas, escolheu e convidará, assim que puder, o mais indicado de todos. Henrique Meirelles tem origem tucana, foi presidente de uma grande instituição bancária internacional e comandou o Banco Central nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva, principal prócer do Partido dos Trabalhadores (PT). Para completar, este o indicou insistentemente para o Ministério da Fazenda na sucessão de Guido Mantega, na virada do primeiro para o segundo governo de sua pupila Dilma Rousseff.

Mariz é o conviva que não o ajudaria na administração. Meirelles, o favorito do principal adversário a enfrentar no eventual governo. Este, sim, conforme tudo indica, terá autoridade, legitimidade e competência para tocar o barco no mar revolto em que tentará comandar nosso pedalinho sem rumo. Com as bênçãos do mercado interno e a melhor reputação no externo, o membro do Partido Social Democrático, de Gilberto Kassab, definido por este como “nem de direita, nem de centro, nem de esquerda”, é pule de dez para a corrida de obstáculos em busca do prêmio maior, o da confiança e da credibilidade dos grandes investidores internacionais. Temer teve juízo ao nomeá-lo e sorte porque ele lhe disse sim.

Constatados o juízo e a sorte do futuro chefe do governo, resta-nos contar que produzam efeitos positivos para desanuviar o clima pesado que contamina o ar. Disso dependerão a sorte do povo e o juízo dos colegas de Temer no Congresso.


José Nêumanne, 3/3/2016

segunda-feira, 2 de maio de 2016

A Doida Mansa



A mulher que se achava filha de Getúlio, o pai do Brasil Maravilha e a órfã do golpe que não houve.

Já contei aqui a história da doida mansa que, no começo dos anos 60, apareceu no portão da minha casa em Taquaritinga para buscar a chave do Banco do Brasil. Ouvi a campainha, vi pela janela da sala de jantar uma mulher negra, franzina e maltrapilha e saí para atendê-la. Ela quis saber se eu era filho do prefeito. Disse que sim. Ela informou que era filha de Getúlio Vargas. Achei que aquilo era assunto para gente grande e fui chamar minha mãe.

Antes que dona Biloca dissesse alguma coisa, ela se identificou novamente e revelou que o pai lhe deixara como herança o Banco do Brasil. Com o suicídio, tornara-se dona da instituição financeira, incluídos bens imóveis e funcionários ─ além do mundaréu de dinheiro, naturalmente. O doutor Getúlio avisara que a chave de cada agência ficava sob a guarda do prefeito. Quando quisesse ou precisasse, bastaria solicitá-la ao chefe do Executivo municipal.

Era por isso que estava lá, repetiu ao fim da exposição. Meu pai estava na prefeitura, entrei na conversa. A herdeira do banco disse que esperaria no portão. Dona Biloca percebeu que aquela maluquice iria longe, decidiu passar a pendência adiante e transferiu-a para o primogênito ─ que, para sorte de ambas, trabalhava no Banco do Brasil de Taquaritinga. Depois de ensinar o caminho mais curto, recomendou-lhe que fosse até a agência, procurasse um moço chamado Flávio e transmitisse o recado: “Diga que a mãe dele mandou dar um jeito no problema da senhora”.

O jeito que deu confirmou que meu irmão mais velho era mesmo paciente e imaginoso. Ao saber com quem estava falando, dispensou à visitante as deferências devidas a uma filha do presidente da República, ouviu o caso com cara de quem está acreditando em tudo e, terminada a narrativa, pediu licença para falar com o gerente. Foi ao banheiro e voltou cinco minutos depois com a informação: a chave estava no cofre da agência, não na casa do prefeito. Mas só poderia entregá-la se a filha de Getúlio confirmasse a paternidade ilustre.

“A senhora precisa buscar a certidão de nascimento no cartório”, explicou Flávio. Ela pareceu feliz, levantou-se da cadeira e avisou que em meia hora estaria de volta com o papel. Ressurgiu três ou quatro meses mais tarde, mas de novo no portão da minha casa, outra vez atrás do prefeito. De novo foi encaminhada ao moço da agência, que liquidou a questão do mesmo jeito. O ritual teve quatro reprises em menos de dois anos. Até que um dia ela saiu em direção ao cartório e nunca mais voltou.

Lembrei-me da doida mansa que coloriu minha infância quando o presidente Lula registrou em cartório um Brasil inexistente. Conferi o calhamaço e fiquei pasmo. Tinha trem-bala, aviões que pousavam e decolavam com a pontualidade da rainha da Inglaterra, rodovias federais de humilhar motorista alemão, luz e moradia para todos, três refeições por dia para a nova classe média, formada pelos pobres dos tempos de FHC. Quem quisesse ver mendigo de perto que fosse até Paris e se contentasse com algum clochard.

A transposição das águas do São Francisco havia exterminado a seca e transformado o Nordeste numa formidável constelação de lagos, represas e piscinas. O sertão ficara melhor que o mar. Os morros do Rio viviam em paz, os barracos valiam mais que as coberturas do Leblon. E ainda nem começara a exploração do pré-sal, que promoveria o Brasil a presidente de honra da OPEP. Faltava pouco para que a potência sul-americana virasse uma Noruega ensolarada.

No país do cartório, o governo não roubava nem deixava roubar, o Mensalão nunca existira, os delinquentes engravatados estavam todos na cadeia, os ministros e os parlamentares serviam à nação em tempo integral e o presidente da República cumpria e mandava cumprir cada um dos Dez Mandamentos. Lula fizera em oito anos o que os demais governantes não haviam sequer esboçado em 500.

Quando conheci aquela mistura de Pasárgada com emirado árabe, bateu-me a suspeita: daqui a alguns anos, é possível que um filho do prefeito de São Bernardo do Campo tenha de lidar com um homem gordo, de barba grisalha, voz roufenha e o olhar brilhante dos doidos de pedra, exigindo a devolução da maravilha que sumiu. A filha de Getúlio tropeçara na falta da certidão de nascimento. O pai do país imaginário estará sobraçando a papelada cheia de selos, carimbos, rubricas e garranchos.

Lembrei-me de novo da filha de Getúlio ao ver o que Dilma Rousseff anda fazendo para continuar no emprego que já perdeu. Depois do comício de todas as tardes, a alma penada atravessa a noite e a madrugada uivando o mantra: “É golpe”. É muito provável que, daqui a alguns anos, apareça na porta da casa do prefeito de Porto Alegre a mulher de terninho vermelho, calça preta e cara de desquitada de antigamente que, com aquele andar de John Wayne, zanza pelas ruas repetindo o grito de guerra: “Foi golpe!”


Apesar do juízo avariado, nem ela vai querer que lhe devolvam o Brasil que destruiu. Só exigirá as chaves do Palácio do Planalto e do Palácio da Alvorada. Os filhos do prefeito da capital gaúcha poderão livrar-se sem dificuldades da visitante. Bastará pedir-lhe que mostre o certificado de deposição arbitrária com as assinaturas de pelo menos três golpistas de alta patente — todas com firma reconhecida em cartório — e presenteá-la com um exemplar da Constituição.

Augusto Nunes, 1/5/2016

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Bate o desespero


A eleição ontem do presidente e do relator da Comissão do Impeachment no Senado serviu para confirmar que a oposição tem maioria esmagadora – o senador Antonio Anastasia, do PSDB, foi eleito por 15 a 5 – e que os governistas, à falta do que fazer para evitar o afastamento da presidente Dilma dentro de 15 dias, tentam retardar decisões com expedientes simplesmente ridículos.

O senador petista Lindberg Farias está de volta aos tempos de líder estudantil, com manobras regimentais das mais rasteiras, com o objetivo de provocar reações da oposição. O sentido desse comportamento dos senadores da situação não é outro senão ganhar tempo para que o julgamento da aceitação do processo do impeachment demore o mais possível.

Não que isso vá mudar o rumo dos acontecimentos, pois dificilmente essa maioria que já existe será desfeita, mas qualquer dia a mais além dos 15 que lhe restam na presidência da República permite à presidente Dilma a chance de continuar dando vazão à sua obsessão, que é denunciar um suposto golpe de que estaria sendo vítima.

Ela e o PT estão montando uma narrativa que dará suporte, mais adiante, à campanha que a presidente tentará organizar a partir de seu exílio no Palácio Alvorada, onde permanecerá durante seu afastamento do cargo, cuja decisão final pode se dar em até 180 dias após o impeachment ser admitido no Senado.

O projeto petista, por enquanto, é manter viva a chama da revolta contra o impeachment, mas até mesmo antes da decisão do Senado a presidente pode ser questionada no próprio Supremo por suas atitudes. Já existem parlamentares dispostos a pedir que ela seja proibida de acusar a Câmara dos Deputados de golpista, depois que a decisão oficial foi tomada pela ampla maioria de seus membros.
Continuando nessa toada, ela estará infringindo a Constituição e cometendo novos crimes de responsabilidade por tentar impedir a atuação dos poderes Legislativo e Judiciário.

Teremos, então, a tentativa petista de montar um governo paralelo a partir do Alvorada, apoiado pelos movimentos sociais. A presidente Dilma pretende inclusive ter acesso a aviões da FAB para deslocamentos pelo país, e é previsível que tenhamos uma disputa judicial em torno dos direitos e deveres de uma presidente afastada.

Provavelmente o Supremo Tribunal Federal será chamado a decidir, por exemplo, se Dilma poderá se manifestar publicamente sobre o governo do presidente em exercício Michel Temer. E se poderá criticá-lo livremente, usando imóveis do governo e utilizando-se de aviões oficiais para suas viagens políticas.

Outra questão que certamente o STF terá que enfrentar será a regulamentação das facilidades que serão colocadas à disposição da presidente afastada. Não há legislação a esse respeito, e caberá ao Supremo definir os limites de atuação da presidente nesse período de 180 dias, findos os quais ela poderia voltar ao cargo se o julgamento não estiver terminado.

Dificilmente, porém, o PT e seus cada vez menos associados partidários conseguirão retardar o processo a ponto de não estar concluído em seis meses.

Se o parâmetro for o processo de Collor, como tem sido nos ritos do Congresso, assessores próximos do então presidente quando este foi impichado relembram que lhe foi negado um imóvel oficial – pensou-se inicialmente na cessão da Granja do Riacho Fundo – e o apoio de assessores.

Collor permaneceu na Casa da Dinda, e despachava de um escritório improvisado na garagem. O processo durou em torno de quatro meses. Um futuro governo de Michel Temer terá pela frente, portanto, uma oposição minoritária no Congresso, e movimentos sociais tentando conturbar o país.
Resta saber se a disposição desses movimentos se manterá sem as verbas oficiais que os alimentam, e mais ainda se o interesse político do PT será mesmo apoiar uma presidente afastada e em julgamento. Certamente o PT e os movimentos sociais que orbitam em torno dele terão que arcar com as consequências de suas ações, pois o país está ladeira abaixo.

Caberá ao novo governo manter o apoio da maioria do Congresso para não apenas aprovar as medidas necessárias à retomada do crescimento econômico, como também mostrar-se robusto politicamente para resistir às investidas da minoria barulhenta que tentará, por todas as maneiras, colocar-lhe obstáculos.


Para resistir a esses previsíveis passos, o governo terá também que conquistar uma popularidade que hoje o vice Michel Temer não tem. E que as medidas a serem adotadas não facilitarão.

Merval Pereira, O Globo, 27/4/2016

quinta-feira, 21 de abril de 2016

O BRASIL E SUA MÓRBIDA RELAÇÃO COM A CANALHICE


“Subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos!” – Nelson Rodrigues

Se existe algo que me deixa muito entristecido no Brasil é a admiração, às vezes secreta e às vezes expressa, aos maus-caracteres. O brasileiro já está tão doente e tão profundamente ‘encavernado’ no mundo da corrupção e das más-feitorias que acha normal que um político roube o seu dinheiro. O brasileiro parece, neste quesito, rir para não chorar, quando na verdade deveria lutar. A sociedade se encontra em uma espécie de anestesia covarde: vê algo gravíssimo, alarmante, mas, de tão sofrida, dá risada, se exalta e esquece no momento seguinte. Isso não é de hoje; isso já vem de tempos e é uma das principais razões que levam o Brasil a amargurar a condição de país subdesenvolvido.

Nas conversas de bar, no trabalho e nas rodas de amigos, não é raro que se escutem coisas do tipo: “viu lá o carro do Senador? Caramba!”; “olha o deputado fulano de tal, esse é espada!”. Não há nenhum problema em exclamar a sua admiração por um carro ou por uma pessoa, mas dentro desses contextos que citei, existe uma mensagem implícita: o que se admira, na verdade, não é o carro ou a pessoa, é a malandragem, a esperteza e a sem-vergonhice do sujeito. O cara chegou lá! Foi malandro o suficiente! É o cara! É assim que o Brasileiro pensa.

Esses dois exemplos que citei, infelizmente, são reais e foram ouvidos por mim em um dos melhores restaurantes do Rio de Janeiro, quando um Parlamentar acusado de corrupção, que não citarei o nome, ingressou na casa. Umas quatro pessoas de uma mesa falaram do carro. Os ocupantes de outra mesa, bem maior e composta inclusive por empresários conhecidos, para a minha surpresa, teceram o comentário “esse é espada!”, tendo, também, um desses ido lhe dar um caloroso aperto de mão. Tal cena exibe a influência da máquina burocrática nacional e o amplo poder de controle e decisão que os políticos têm sobre a economia do Brasil, o que levou à prostituição do empresariado em troca de favores e benefícios. A Petrobras, o BNDES e as empreiteiras aí estão para provar isto.

Outra reflexão que me veio à mente foi que todos os indivíduos que tiveram tal conduta idólatra para com o parlamentar pertencem à elite financeira do País, isto é, aqueles que deveriam dar o exemplo de virtude, de trabalho, de lucidez e de responsabilidade. Mas não!  No Brasil, sob estes 13 anos de governo revolucionário, parte espessa da elite ficou amedrontada e decidiu bajular o governo. Aqueles que deveriam dar o exemplo mostram como não se deve agir. Os que deveriam mostrar trabalho mostram malandragem e promiscuidade com o governo; os que deveriam mostrar lucidez, não acham nada de mais pegar um pouquinho de verba pública para acelerar seus negócios.

Essa conduta não vem, é claro, somente da elite; vem do País como um todo, de todas as classes sociais. Elas existem no mundo inteiro, é verdade, mas no Brasil ela é suigeneris. Recentemente, um programa de televisão fez um teste de honestidade onde uma câmera escondida filmava um pedestre em uma rua movimentada deixando cair a sua carteira cheia de dinheiro e documentos no chão. Ao final do teste, constatou-se que 70% dos transeuntes pegaram para si a carteira com tudo.

Hoje em dia, a canalhice do Brasil está em maior evidência por conta da sem-vergonhice ilimitada do “governo revolucionário” e sua plêiade de bandidos. A canalhice está politizada em excesso nessa nossa época, mas ela já era retratada com frequência na nossa literatura e enfatizada pelos ilustres que passaram por esta terra. Nelson Rodrigues já dizia que “o brasileiro quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte” e a sua conhecida série de contos “A vida como ela é” faz uma radiografia da realidade do Brasileiro.


Charles Darwin, quando veio a estas terras no ano de 1830, resumiu negativamente e até com certo exagero o que viu no Brasil, mas sua mensagem é de suma importância: “os brasileiros, até onde vai minha capacidade de julgamento, possuem somente uma pequena daquelas qualidades que dá dignidade à humanidade”, disse o cientista em dos trechos mais pesados do diário em que escrevia sua rotina durante a viagem do “Beagle”.

Também sobre o Brasil, outro trecho interessante do seu diário e bastante atual, nestes tempos de agudíssima crise moral, é o seguinte: “Não importa o tamanho das acusações que possam existir contra um homem de posses, é seguro que em pouco tempo ele estará livre. Todos aqui podem ser subornados”.  É óbvio que Darwin generaliza, mas já naqueles tempos de Império que, por sinal, houve muito mais virtudes e boas ações de nossos Homens e Mulheres de Estado do que na República, o Brasil já apresentava uma série de vícios legais e culturais que livravam a cara de quem podia pagar mais. O crime compensava e ainda, apesar das reservas morais que existem nas instituições nacionais, compensa.

O Marxismo cultural da elite socialista que nos governa trouxe ao Brasil o tipo mais ousado de todas as canalhices: o esquerdismo. Uma espécie de canalhice com estilo de Robin Hood deturpado na qual, o canalha pensa que está fazendo o bem ao tirar dos ricos para dar aos pobres e, ainda, estufa o peito alardeando aos quatro ventos que tem o monopólio da virtude, que ele é uma pessoa boa e conclama seus seguidores para seguirem o seu exemplo. Afinal, “não existe uma viva alma mais honesta do que eu!” ele pode dizer.

Nelson já observava no brasileiro uma baixa autoestima muito forte, tanto para com a Nação como para si próprio. Ele chamou isso de “complexo de vira-lata”, o que, automaticamente, denota uma revolta, um sentimento de fracasso. Mas o que originou este sentimento? As escolhas erradas, os homens errados e as virtudes erradas que o Brasileiro escolheu no decorrer dos seus 194 anos de história independente. Um país que joga fora um D.Pedro II, um Mário Ferreira dos Santos, um Oswaldo Meira Penna, um Roberto Campos, não corre, como diria este último, o menor risco de dar certo. Eu, particularmente, noto no Brasil uma decepção consigo mesmo, pois o povo percebe que podia ter feito algo para melhorar a situação, mas não fez. Um verso poético de Manuel Bandeira descreve esse sentimento: “a vida inteira que podia ter sido e que não foi.” É daí que se origina o complexo de vira-lata de que Nelson tanto falava.

Porém, todo esse bolo de revolta e decepção fica ainda mais amargo com a cereja vermelhinha e asquerosa que é o socialismo. O socialismo é canalha desde o berço, já que começa solapando os três pilares de uma sociedade livre: a vida, a liberdade e a propriedade. Basta ler os escritos de Marx, Engels, Althusser, Foucault, Gramsci, e outros caricatos mais para perceber isto.

A canalhice moderna do Brasil, a descrença do seu povo no trabalho, o ressentimento contra os ricos, a idolatria aos corruptos e o ressentimento que se nota nas ruas demonstram, perfeitamente bem, um povo que elege os heróis e a ideologia errada. Se chegamos ao ponto de considerar Lula o maior presidente que o Brasil já teve, inelutavelmente, amargaremos a maior de todas as decepções. Se as últimas quatro eleições mostraram uma coisa é que o Brasileiro é masoquista, idolatra aquele que o quer mal; o elege, e depois diz, cabisbaixo, que está tudo mal. Ele tem esse direito, desde que o use corretamente: parando de idolatrar as duas maiores fontes da canalhice moderna no País: os políticos e o Estado.

Alguns dizem que o povo acordou, que descobriu que ele é espoliado pelo Estado e que na mesma medida deposita nele a sua esperança, que o socialismo e a corrupção estão intimamente ligados, que um Estado grande acaba com a honestidade das pessoas. Muito bem. Eis aí o caminho certo para a mudança.

A onda liberal e conservadora que surge no Brasil é algo que me enche de esperança e que conta com todo o meu apoio e com o suporte de todos os brasileiros, que ainda conservam em si decência e justiça. Essa é uma ótima hora para o País começar a planejar a sua mudança de postura rever a sua mórbida relação com a canalhice.


Rafael Hollanda, estudante de direito do Ibmec-RJ, publicado na página do Instituto Liberal

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O Blefe chamado Lula


A dimensão da derrota petista revela um blefe chamado Lula

Os números da votação do impeachment revelam, entre outros, uma realidade que esse autor e poucos outros analistas já perceberam há muito tempo, e na qual veem insistindo de maneira quase repetitiva, por ser necessário: a suposta habilidade política de Lula nunca passou de um blefe. Mais do que a falácia a respeito de sua inexistente habilidade política, Lula no seu conjunto nunca passou de um blefe e de um personagem de ficção, cuidadosamente construído ao longo de anos. Uma construção que somente foi possível por conta do silêncio conivente imposto pelo gramscianismo por meio de suas ferramentas de elaboração de narrativas e de inibição de qualquer crítica à agenda ideológica da esquerda, tais como o politicamente correto, que blindaram Lula e o permitiram seguir livre e sem ser contestado com seu projeto criminoso de poder que por pouco não resultou na destruição do país.

A estória real do ex-informante do regime militar que ascendeu na carreira sindical e depois política por meio de traições, inclusive ao próprio irmão (um certo Frei Chico de quem ninguém mais se lembra e que era militante do velho partidão) e por meio de suas excelentes relações com o então ministro Golbery do Couto e Silva ainda precisa e deverá ser contada. O blefe chamado Lula no campo da política nacional começará a ficar claro quando as pessoas perceberem que suas criaturas escolhidas a dedo para levar adiante seu projeto sob seu estrito controle resultaram em um completo fracasso: o primeiro fracasso evidente se chama Dilma. Seu outro fracasso se chama Fernando Haddad, que em breve será defenestrado da prefeitura da capital paulista por vontade livre e soberana da maioria dos paulistanos.

O fracasso e o blefe chamado Lula ficaram simbolicamente expressos na fala de ontem do deputado José Carlos Aleluia do DEM, quando esse lembrou que Lula se gabava de ter sido habilidoso o bastante por ter supostamente banido o Democratas, o único partido ao menos formalmente de direita do país, da vida pública nacional. Não baniu coisíssima alguma! O Democratas vai muito bem e junto com o PSC de Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano reúne os poucos políticos respeitáveis, todos eles de direita, que podem andar pela rua de cara limpa e sem medo do povo, ao contrário dos políticos do PT, a começar pelo próprio Lula, que é covarde o bastante para há anos se recusar a encarar as pessoas comuns nas ruas. A direita não foi banida da vida pública como Lula esbravejava tempos atrás. Quem vai ser banido da vida pública nacional é Lula e o PT, por decisão dos eleitores ou da justiça.

Queremos insistir que o blefe político chamado Lula somente chegou aonde chegou por responsabilidade também daqueles que se omitiram e se deixaram intimidar ou não tiveram a capacidade política de dizer quem Lula de fato era e é e o que ele e sua escória partidária representavam e representam. E os poucos que tiveram a coragem de dizer essa verdade ao longo dos anos, como o professor Olavo de Carvalho na esfera do jornalismo e da atividade teórica e intelectual, e Jair Bolsonaro ou Ronaldo Caiado e pouquíssimos outros no campo político institucional, eram motivo de escárnio e de calúnia por parte daquela parcela da elite que foi conivente com o maior fraude política que a história política do país já assistiu.


Felizmente para o país, o blefe e a fraude representados por Lula e pelo petismo estão chegando ao fim, e o mérito pertence aos milhões que foram às ruas exercendo o protagonismo político que possibilitou o início da derrocada do lulopetismo. Mas a justiça deve ser feita aos mencionados acima, que por anos a fio alertavam os brasileiros sobre o risco que o país corria caso resolvessem entregar os destinos da nação à escória de socialistas e comunistas reunidas em torno de Lula. E além da justiça e do reconhecimento a quem merece, deve-se também fazer a cobrança às pessoas de bem que se calaram e se omitiram sabendo o que o lulopetismo representava e representa. Aquele adágio que diz que o mal só consegue vencer quando os de bem se omitem, nunca foi tão verdadeiro como na história recente do país.

Paulo Eneas, 18/4/2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

O golpe sem o impeachment


É inevitável a sombria perspectiva de um governo ainda pior que o desgoverno de hoje, na hipótese de que o impeachment de Dilma seja barrado na Câmara dos Deputados, que se tornou necessário considerar porque o Planalto está assumindo “compromissos com o rebotalho do Congresso, abrindo-lhe espaços nobres no Ministério e aviltando de forma inédita o exercício da Presidência”, conforme destacado em editorial publicado no domingo neste espaço. E, pelas notícias que vêm do submundo brasiliense, não são cargos apenas que são mercadejados. Também o dinheiro vivo compra ausências (por R$ 400 mil) ou votos (por R$ 1 milhão) que favoreçam Dilma. São importâncias calculadas, bem a propósito, para caber em cuecas ou peças semelhantes, como disso bem sabem notórios próceres do governo petista. Menos insultaria o político corrupto; mais tornaria o negócio arriscado.

A agravar essa perspectiva negativa, em especial no que diz respeito ao aviltamento do exercício da Presidência da República, está o fato de que uma reviravolta que garanta o mandato de Dilma implicará inevitavelmente o fortalecimento político de Luiz Inácio Lula da Silva e a provável confirmação de sua nomeação para o Ministério, que ele próprio acredita que acontecerá em breve.

Diante dessa possibilidade, a questão que se coloca é a seguinte: quem será efetivamente o chefe do governo? Dilma ou Lula? Não que faça muita diferença para o País, porque, do ponto de vista econômico, a ingovernabilidade tem raízes profundas no voluntarismo estatista do PT e isso não mudará. E, do ponto de vista político, este governo impopular continuará refém do fisiologismo escancarado no qual o baixo clero parlamentar foi acostumado a se esbaldar pela falta de escrúpulos do lulopetismo. Uma coisa é obter 172 votos e/ou ausências suficientes para barrar o impeachment.

Outra coisa é garantir maioria de votos, mesmo que simples, para aprovar as iniciativas do Executivo. Trocando em miúdos, com o PT no poder, a economia não será saneada e a política continuará a esbórnia que tem sido. Ou seja, a moralidade não se restaurará.

Lula é visto pelo PT como a salvação da lavoura. E, se o impeachment não for aprovado, a influência do chefão no aliciamento de votos terá sido decisiva. Com esse crédito, ele será uma espécie de primeiro-ministro, detentor efetivo do poder, até porque é mais fácil acreditar em Papai Noel do que na hipótese de que Dilma, apesar de toda sua soberba e arrogância, tente com sucesso subordinar Lula a seu comando. E o próprio ex-presidente não faz segredo disso. Na visita que fez a Fortaleza no fim de semana, cansou-se de proclamar que vai virar ministro para “tomar as rédeas” do governo. É exatamente isso o que desejam, e não disfarçam, o PT e todas as entidades sindicais e sociais que são extensões do lulopetismo.

A se confirmar esse drible em Dilma – honi soit qui mal y pense – estará consumado o golpe que há meses ela teme e denuncia pois, em última análise, estará sendo deposta de facto, por meio, digamos, de um “arranjo doméstico”. E ninguém no PT e arredores moverá uma palha para protestar contra o golpe da usurpação do poder de quem foi consagrada nas urnas com mais de 54 milhões de votos populares. Lula e o PT, triunfantes mercadores de ilusões, estarão dando uma debochada banana para os dois terços de brasileiros que querem ver pelas costas Dilma Rousseff e tudo o que ela significa.
Com Lula no comando do governo e Dilma se dividindo entre o saudável pedalar matinal nas cercanias do Palácio da Alvorada e uma intensa agenda de inaugurações festivamente desimportantes Brasil afora, o País estará condenado a piorar – mas acreditando que melhora.

Populista irredimível, Lula acredita ter salvado com as próprias mãos o Brasil da crise mundial de 2008, sem se dar conta de que a “nova matriz econômica” em que embarcou crente de que estava abrindo as portas do Paraíso era a súmula do desastre. Anos de voluntarismo intervencionista paralisaram o País e surrupiaram a confiança dos brasileiros, interrompendo a produção de riquezas, única base sustentável para o verdadeiro desenvolvimento econômico e social. A Nação não aguenta mais do mesmo.

O Estado de São Paulo, 5/4/2016
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