terça-feira, 14 de outubro de 2014

Todos unidos contra o PT

PSDB nunca foi um partido de direita, e sim de centro-esquerda. Só que uma esquerda civilizada, democrática

Sindicalistas, evangélicos, ambientalistas, liberais, conservadores e social-democratas: há de tudo na enorme coligação unida em torno da candidatura de Aécio Neves. O tucano, seguindo os passos de seu avô Tancredo, soube costurar acordos com base programática e construir pontes para ligar diferentes grupos em torno de um objetivo comum: tirar o PT do poder, preservar nossa democracia e fazer a economia voltar a crescer.

Em pânico, o PT acusa o tucano de “reacionário”, de “neoliberal” ou de “inimigo dos pobres”. Mas o PSDB nunca foi um partido de direita, e sim de centro-esquerda. Só que uma esquerda civilizada, democrática, nos moldes da social-democracia europeia, enquanto o PT flerta com a esquerda retrógrada, autoritária, defensora dos piores regimes ditatoriais do mundo.

Que direita é essa que junta Marina Silva e Eduardo Jorge, ambientalistas que militaram na esquerda a vida toda? Sim, é verdade que o Pastor Everaldo e Jair Bolsonaro também apoiam Aécio. Mas isso só mostra como existe um gigantesco campo ideológico em torno de sua candidatura, justamente porque há uma prioridade mais urgente e comum a todos, que é impedir o Brasil de se tornar a próxima Argentina ou Venezuela.

“Chegou o momento de interromper esse caminho suicida e apostar, mais uma vez, na alternância de poder sob a batuta da sociedade, dos interesses do pais e do bem comum”, escreveu Marina Silva em sua carta de apoio ao tucano. Ela está certa: ninguém aguenta mais o PT no poder, esse modelo ultrapassado, corrupto, incompetente, que pode significar nosso suicídio coletivo se durar mais quatro anos.

A classe média, odiada por Marilena Chauí, a filósofa que acha que o mundo se ilumina quando Lula abre a boca, não suporta mais tantos impostos, tanta corrupção, tanto descaso do governo. Não é “fascista”, como diz a “intelectual” sob aplausos de Lula, e sim trabalhadora, e quer apenas melhorar sua condição de vida, impossível com tantos obstáculos criados pelo próprio governo.

Os mais pobres também querem mudanças, como as pesquisas e os votos comprovam. Mas muitos ainda temem a perda de algumas conquistas, graças ao intenso terrorismo eleitoral do PT. A “justiça social” é mais um mito criado pelos petistas. As conquistas verdadeiras foram plantadas antes, pelo próprio PSDB, como no Plano Real, que controlou a inflação, e que teve a oposição petista.

Mesmo o Bolsa Família não é mérito do PT, pois, como o próprio ex-presidente Lula já reconheceu, a ideia partiu de um tucano, o governador de Goiás, Marconi Perillo. O PT apenas uniu programas sociais existentes, e, em vez de criar portas de saída e torná-lo política de Estado, como propõe Aécio, preferiu manter cada vez mais gente dependendo do seu governo. Justamente para usar a ameaça de que os pobres perderão o benefício se não votarem em Dilma, o que, além de mentira, é o resgate do velho e nefasto voto de cabresto.

Quando o PT resolveu inovar em programas sociais, nasceu o Fome Zero, um retumbante fracasso. Enquanto o projeto nem saía do papel, Lula já tentava vendê-lo ao mundo todo, de forma arrogante. Como podemos ver, o PT teve no campo social coisas boas e novas, mas as boas não eram novas e as novas não eram boas. Partido dos pobres com foco no social? Não cola.

Até mesmo na questão do salário mínimo, que Dilma tem usado para atacar Aécio, seu governo se sai pior do que o de FH. Durante a gestão do tucano, o salário mínimo se valorizou 4,5% ao ano, enquanto no período Dilma aumentou apenas 2,5% ao ano, em termos reais (descontada a inflação). Será que Dilma representa efetivamente os mais pobres?

Claro que não. Dilma e o PT representam a velha política, o fisiologismo corrupto, o aparelhamento da máquina estatal, a compra escancarada de votos, os subsídios bilionários para grandes grupos em troca de apoio político. Se Marina e Eduardo Jorge estão com Aécio, Sarney, Collor, Renan Calheiros, Jader Barbalho e Maluf estão com Dilma. Sem falar da turma presa na Papuda, daqueles que nos roubaram e que o PT ainda defende como seus “heróis”.

Uma quadrilha se instalou na Petrobras para se apropriar do dinheiro do povo brasileiro. Quem diz são os próprios criminosos do esquema. Grandes empreiteiras e políticos ligados ao PT desviando bilhões, enquanto o trabalhador acumulava enormes prejuízos em seus investimentos na estatal por meio do FGTS. Governo dos trabalhadores?

Não dá mais! O povo quer mudança. Direita e esquerda, estão todos unidos contra o PT, contra as forças reacionárias, populistas e corruptas deste país.

Rodrigo Constantino. Economista e presidente do Instituto Liberal

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O país “de saco cheio”


No mesmo dia em que os depoimentos do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef eram divulgados (quinta-feira, 9), o ex-presidente Lula desabafava, numa plenária do PT: “Eu já estou de saco cheio”.

Referia-se naturalmente às denúncias de corrupção, que envolvem seu partido e a ele próprio. E acrescentava: “Nenhum petista pode aceitar que um tucano bicudo o chame de corrupto”.

Além de supor que a hipótese (não demonstrada) de o adversário habitar o mesmo chiqueiro o isentaria, Lula se esqueceu de que nenhuma das denúncias que “enchem o seu saco” partiu de tucanos. Esses sempre foram exageradamente polidos na questão. Coube a FHC, ao tempo do Mensalão, esvaziar a campanha do impeachment. Lula, de certa forma, deve-lhe o mandato.

Quem denunciou o Mensalão foi um então aliado do governo Lula, o deputado Roberto Jefferson, que presidia o PTB. E quem está trazendo à tona o escândalo da Petrobrás é Paulo Roberto Costa, nomeado pelo próprio Lula diretor de Abastecimento e Refino daquela empresa. Dilma diz que não gostava dele, mas o incluiu numa seleta lista de convidados ao casamento de sua filha.

Não se trata, porém, de cuidar de afinidades, mas dos fatos. E esses tendem a continuar a “encher o saco” de Lula. O que veio a público dos depoimentos de Paulinho (forma carinhosa com que Lula o tratava) e Beto (outro apelido afetivo que indica intimidade) é só a ponta do iceberg. Vejamos.

Eles não puderam nominar os agentes públicos de escalão superior, aos quais fazem menção em diversas partes do depoimento, em face do benefício do foro privilegiado, que confere essa prerrogativa ao Supremo Tribunal Federal.

Governadores, ministros, parlamentares e presidente (e ex) da República só podem ser julgados pelo STF. Mas o STF já acatou as denúncias, o que indica que estão fundamentadas. Se não estivessem, seriam rejeitadas.

Acresce que Paulinho e Beto não estão blefando ou estariam jogando contra o próprio destino. Se a delação premiada for furada eles aumentarão suas já de si robustas penas. Alguém numa situação-limite dessas não ousa blefar. A delação premiada, convém lembrar, parte de uma confissão: o delator se reconhece como infrator. Portanto tudo o que diz tem alguma credibilidade, que nem por isso deixa de ser rigorosamente conferida.

A expectativa agora é quanto aos nomes “de cima”. Já se sabe como funcionava o esquema, quais partidos dele se beneficiaram, quanto ganharam e quais empresas privadas foram parceiras. Já não há dúvida de que uma quadrilha lesou a Petrobras por no mínimo seis anos (2006-2012), no reinado do PT.

Resta conhecer os chefes da quadrilha. Não é um momento confortável para a candidatura de Dilma Roussef, que, no entanto, no primeiro programa eleitoral do segundo turno, comprometeu-se a “continuar” combatendo (“ainda mais”) a corrupção. É no mínimo uma conflito existencial, em que o PT combate a corrupção que ele mesmo pratica. No caso específico da Petrobras, sabotou duas CPIs.

A primeira tentativa, ainda no governo Lula, provocou uma passeata anti-CPI, comandada no Rio pela UNE. O PT, que, nas palavras de Lula, vivia repetindo, ao tempo em que era oposição, que “quanto mais CPI, melhor”, tornou-se inimigo delas.

Há hoje duas CPIs em funcionamento para investigar a Petrobras: uma no Senado e outra, mista (Câmara e Senado). A primeira é chapa-branca e, em vez de investigar, esmera-se em desmontar tentativas de investigação. A segunda peleja com a má vontade do PT e do governo para levar avante os trabalhos.
Foi preciso que gente “do esquema” – Paulinho e Beto – entrasse em cena, em situação-limite, para que a colossal maracutaia começasse a ser desvendada. Os tucanos só agora parecem ter despertado para a necessidade de não assistir passivamente a mais um estupro aos cofres públicos.

Enquanto tudo isso ocorre, Dilma e Lula insistem em falar em nome dos pobres. Se Paulinho, sozinho – mero operador do esquema -, amealhou, numa única conta bancária, 23 milhões de dólares (mais de 55 milhões de reais), quanto terá ganho o “pessoal de cima”? O país, sim, está de saco cheio dessa conversa fiada de defensores dos pobres, vítimas da elite opressora.

Ruy Fabiano, jornalista

domingo, 12 de outubro de 2014

O que o PT mais temia

Era o que o PT mais temia. O embate do segundo turno da eleição presidencial deverá ser travado em torno de dois temas espinhosos que o Planalto vinha tentando evitar a todo custo: corrupção e o desempenho da economia. No domingo, mal finda a apuração, Lula foi o primeiro a reconhecer que essa será a temática dominante do segundo turno. Quanto a isso, o PT já não alimenta ilusões.

Nas denúncias à corrupção, o foco da oposição deverá estar centrado nas irregularidades que vêm aflorando na Petrobrás. Os primeiros resultados das investigações em curso já causaram sérios danos ao projeto da reeleição. Mas o pior é que tudo indica que ainda há muito mais por aflorar, na esteira dos depoimentos do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, feitos no quadro de um acordo de delação premiada.

Ao asseverar que, como presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, jamais tomou conhecimento de qualquer irregularidade, durante a longa permanência de Paulo Roberto Costa na diretoria da empresa, a presidente Dilma teve de incorrer em grande desgaste adicional da sua já erodida imagem de administradora competente e diligente, tão habilmente vendida ao eleitorado na campanha de 2010.

A apreensão do governo com os depoimentos de Costa aumentou muito desde que o ministro Teori Zavascki os considerou suficientemente plausíveis e promissores para que fosse homologado o acordo de delação premiada oferecido ao ex-diretor da empresa. Especialmente importante para a homologação foi o fato de tais depoimentos mencionarem nada menos que 32 parlamentares potencialmente envolvidos, com direito a foro especial no Supremo Tribunal Federal. Na quarta-feira, Paulo Roberto Costa revelou que parte dos recursos desviados bancou gastos de campanha em 2010.

Há indagações básicas sobre o faraônico projeto da Refinaria Abreu e Lima que dificilmente poderão continuar sem resposta no segundo turno. Uma questão crucial, que precisa ser elucidada, é como exatamente a decisão de ir em frente com o projeto da refinaria foi imposta pelo Planalto à Petrobrás, mesmo depois de ter seu corpo técnico alertado que o estudo de viabilidade econômico-financeira indicava que a decisão seria lesiva à empresa, como mostrou matéria de O Globo em 23/6.

Dilma tem plena consciência de que está fadada a enfrentar sérias dificuldades no embate em torno das irregularidades que afloraram na Petrobrás. Mas também sabe que o outro tema que deverá dominar o segundo turno tampouco lhe será fácil.

No embate sobre o desastroso desempenho da economia nos últimos quatro anos, Dilma entra de mãos vazias. Afora o desemprego ainda baixo, tem pouco ou nada a mostrar, como bem ilustram os dados deste final de mandato: taxa de juros mais alta do que no início do governo, preços de energia represados, inflação de 6,75%, bem acima do teto de tolerância da meta, resultado primário tendendo a zero, contas externas seriamente desequilibradas e economia estagnada.

Diante dessa penúria de resultados apresentáveis, o melhor que a campanha de Dilma conseguiu urdir foi uma mistificação e um truque. De um lado, a candidata insiste em atribuir o fiasco a um suposto agravamento da crise econômica mundial. De outro, tenta camuflar o desastre dos últimos quatro anos diluindo-o nos oito anos do período Lula. A ideia é vender ao eleitor um pacote fechado de "12 anos de governo petista", ainda que, da perspectiva da condução da política macroeconômica, esse três-em-um encerre mandatos muitos distintos.

No primeiro mandato, Lula seguiu de perto a política que vinha sendo adotada por FHC. No segundo, coadjuvado por Dilma Rousseff, embarcou na aventura charlatanesca da "nova matriz macroeconômica", cujos frutos amargos têm sido agora colhidos neste terceiro mandato. Não obstante todo o esforço de camuflagem do desastroso desempenho da economia dos últimos quatro anos, é na denúncia dessa colheita amarga que a oposição deverá centrar fogo no segundo turno.

ROGÉRIO L. FURQUIM WERNECK* - O ESTADO DE S.PAULO - 10 Outubro 2014 


*Economista, doutor pela Universidade Harvard e professor titular do departamento de Economia da Puc-Rio

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Raticida

Apareceram no porão de minha casa treze ratos malditos. 

Foi descoberto, na verdade, que já estavam lá há 12 longos anos. As estruturas da casa estavam completamente corroídas, e havia enorme quantidade de estoque de alimentos reunida ali. Pareciam musaranhos, esses roedores gulosos.

Agora entendia por que gastava cada vez mais nas compras do mês e tinha menos comida disponível para a família.

Chamei os dedetizadores. Não aguentava mais esses ratos em minha casa. 
Eram especialistas, e me ofereceram duas soluções. A primeira era mais cara, custava 45 reais. 
A segunda, um pouco mais barata, saía por 40 reais. 

Quais eram as diferenças principais?, perguntei.

A de 45 reais era mais técnica, contava com os melhores dedetizadores disponíveis, gente preparada e com ampla experiência prática. Havia, porém, um problema: os ratos estavam mais acostumados com eles e já tinham desenvolvido formas de derrotá-los, de sobreviver aos seus pesticidas.

Com a solução de 40 reais, eu teria uma turma menos experiente, que oferecia soluções mais românticas, algumas práticas que pareciam com a dos próprios ratos para poder vencê-los em seu território. Era uma “nova forma” de se fazer o trabalho, diziam. Quase fui fisgado pelas emoções. Mas a líder da equipe dos dedetizadores é cara de um rato, para ser sincero. Fiquei desconfiado, confesso.

Eis o que acabei decidindo: comprei a solução de 45 reais mesmo, confiando que é preciso ir com o melhor produto disponível no mercado para acabar com os ratos e colocar a casa novamente livre das pragas, com pilares mais sólidos.

Se esse remédio não surtir efeito e os ratos continuarem por lá, haverá ainda uma segunda aplicação, algumas semanas depois. 

No dia 5 de outubro, os dedetizadores foram lá em casa para a primeira aplicação. 

Funcionou. Muitos ratos foram mortos, mas nem todos. Tinha um rato com a aparência de 24 anos, metido a bom moço, que teve que ser liquidado com uma serra. 

Como parece que está resolvendo, vou repetir a dose da solução de 45 reais.  
No dia 26 de outubro os dedetizadores vão retornar e fazer uma segunda aplicação. Espero que mate todos os ratos ainda restantes.

Se não funcionar, receio que minha casa não fique de pé por mais quatro anos, prazo prometido para que um revolucionário método novo esteja disponível no mercado. 

Vi o que aconteceu com dois vizinhos meus, um venezuelano e outro argentino. Os ratos tomaram conta de tudo e a casa veio abaixo.

Deus me livre de tal destino trágico!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Guerra avisada

Há um ditado que diz "guerra avisada não mata soldado". 
Ou seja, se você for avisado, não incorrerá no erro.

Parece que isto não se aplica ao Brasil. Apesar de todos os avisos, as pesquisas continuam apresentando a candidata do PT na liderança, inclusive no segundo turno.

Eu acho que a maioria dos brasileiros que são pesquisados pensam que isto é bom. Eu também acho que as pesquisas são falsas e dirigidas a lugares e pessoas que são naturalmente eleitores do PT.

Bom, o resultado das urnas vai no dizer o que há de verdade nisto, mas voltando ao aviso de "guerra", aqui vai mais um.

O jornalista Arnaldo Jabor publicou, em coluna no jornal O Globo, um polêmico artigo no qual retrata a sua visão do futuro do país caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita.

Jabor finaliza o texto, em um contexto indignado, afirmando: "Tenho vontade de registrar este texto em cartório, para depois mostrar aos eleitores da Dilma".

A lista dos perigos
O que acontecerá com o Brasil se a Dilma for eleita?

Aqui vai a lista:
A catástrofe anunciada vai chegar pelo desejo teimoso de governar um país capitalista com métodos “socialistas”. Os “meios” errados nos levarão a “fins” errados. Como não haverá outra “reeleição”, o PT no governo vai adotar medidas bolivarianas tropicais, na “linha justa” de Venezuela, Argentina e outros.

Dilma já diz que vai controlar a mídia, economicamente, como faz a Cristina na Argentina. Quando o programa do PT diz: “Combater o monopólio dos meios eletrônicos de informação, cultura e entretenimento”, leia-se, como um velho petista deixou escapar: “Eliminar o esterco da cultura internacional e a “irresponsabilidade “da mídia conservadora”. Poderão enfim pôr em prática a velha frase de Stalin: “As ideias são mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, por que deveríamos permitir que tenham ideias?”

As agências reguladoras serão mais esvaziadas do que já foram para o governo PT ter mais controle sobre a vida do país. Também para “controlar”, serão criados os “conselhos” de consulta direta à população, disfarce de “sovietes” como na Rússia de Stalin.

O inútil Mercosul continuará dominado pela ideologia bolivariana e “cristiniana”. Continuaremos a evitar acordos bilaterais, a não ser com países irrelevantes (do “terceiro mundo”) como tarefa para o emasculado Itamaraty, hoje controlado pelo assessor internacional de Dilma, Marco Aurélio Garcia. Ou seja, continuaremos a ser um “anão diplomático” irrelevante, como muito acertadamente nos apelidou o Ministério do Exterior de Israel.

Continuaremos a “defender” o Estado Islâmico e outros terroristas do “terceiro mundo”, porque afinal eles são contra os Estados Unidos, “inimigo principal” dos bolcheviques que amavam o Bush e tratam o grande Obama como um “neguinho pernóstico”.

Os governos estaduais de oposição serão boicotados sistematicamente, receberão poucas verbas, como aconteceu em São Paulo.

Junto ao “patrimonialismo de Estado”, os velhos caciques do “patrimonialismo privado” ficarão babando de felicidade, como Sarney, Renan “et caterva” voltarão de mãos dadas com Dilma e sua turminha de brizolistas e bolcheviques.

Os gastos públicos jamais serão cortados, e aumentarão muito, como já formulou a presidenta.
O Banco Central vai virar um tamborete usado pela Dilma, como ela também já declarou: “Como deixar independente o BC?”

A inflação vai continuar crescendo, pois eles não ligam para a “inflação neoliberal”.

Quanto aos crimes de corrupção e até a morte de Celso Daniel serão ignorados, pois, como afirma o PT, são “meias verdades e mentiras, sobre supostos crimes sem comprovação...”.

Em vez de necessárias privatizações ou “concessões”, a tendência é de reestatização do que puderem. A sociedade e os empresários que constroem o país continuarão a ser olhados como suspeitos.
Manipularão as contas públicas com o descaro de “revolucionários” — em 2015 as contas vão explodir. Mas ela vai nomear outro “pau-mandado” como o Mantega. Aguardem.

Nenhuma reforma será feita no Estado infestado de petistas, que criarão normas e macetes para continuar nas boquinhas para sempre.

A reforma da Previdência não existirá pois, segundo o PT, “ela não é necessária”, pois “exageram muito sobre sua crise”, não havendo nenhum “rombo” no orçamento. Só de R$ 52 bilhões.

A Lei de Responsabilidade Fiscal será desmoralizada por medidas atenuantes — prefeitos e governadores têm direito de gastar mais do que arrecadam, porque a corrupção não pode ficar à mercê de regras da época “neoliberal”. Da reforma política e tributária ninguém cogita.
Nossa maior doença — o Estado canceroso — será ignorada e terá uma recaída talvez fatal; mas, se voltar a inflação, tudo bem, pois, segundo eles, isso não é um grande problema na política de “desenvolvimento”.


Certas leis “chatas” serão ignoradas, como a lei que proíbe reforma agrária em terras invadidas ilegalmente, que já foi esquecida de propósito.

Aliás, a evidente tolerância com os ataques do MST (o Stédile ja declarou que se Dilma não vencer, “vamos fazer uma guerra”) mostra que, além de financiá-los, este governo quer mantê-los unidos e fiéis, como uma espécie de “guarda pretoriana”, como a guarda revolucionária dos “aiatolás “ do Irã
.
A arrogância e cobiça do PT aumentarão. As trinta mil boquinhas de “militantes” dentro do Estado vão crescer, pois consideram a vitória uma “tomada de poder.” Se Dilma for eleita, teremos um governo de vingança contra a oposição, que ousou contestá-la. Haverá o triunfo “existencial” dos comunas livres para agir e, como eles não sabem fazer nada, tudo farão para avacalhar o sistema capitalista no país, em nome de uma revolução imaginária. As bestas ficarão inteligentes, os incompetentes ficarão mais autoconfiantes na fabricação de desastres. Os corruptos da Petrobras, do próprio TCU, das inúmeras ONGs falsas vão comemorar. Ninguém será punido — Joaquim Barbosa foi uma nuvem passageira.

Nesta eleição, não se trata apenas de substituir um nome por outro. Não é Fla x Flu. Não. O grave é que tramam uma mutação dentro do Estado democrático. Para isso, topam tudo: calúnias, números mentirosos, alianças com a direita mais maléfica.

E, claro, eles têm seus exércitos de eleitores: os homens e mulheres pobres do país que não puderam estudar, que não leem jornais, que não sabem nada. Parafraseando alguém (Stalin ou Hitler?) — “que sorte para os ditadores (ou populistas) que os homens não pensem”.

Toda sua propaganda até agora acomodou-se à compreensão dos menos inteligentes: “Quanto maior a mentira, maior é a chance de ela ser acreditada” — esta é do velho nazista.

O programa do PT é um plano de guerra. Essa gente não larga o osso. Eles odeiam a democracia e se consideram os “sujeitos”, os agentes heroicos da História. Nós somos, como eles falam, a “massa atrasada”.
É isso aí. Tenho vontade de registrar este texto em cartório, para depois mostrar aos eleitores da Dilma. Se ela for eleita. 

Arnaldo Jabor

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A estupidez como categoria de pensamento


A presidente Dilma Rousseff certamente considerou que o ridículo a que submeteu nesta terça o país não era o suficiente. Resolveu então dobrar a dose. Como sabem, a nossa governanta censurou ontem, em entrevista à imprensa, os EUA e países aliados pelos ataques às bases terroristas do Estado Islâmico.

Dilma, este gênio da raça, pediu diálogo. Dilma, este portento da política externa, quer conversar com quem estupra, degola, crucifica, massacra. Dilma, este novo umbral das relações internacionais, defende que representantes da ONU se sentem à mesa com mascarados armados com fuzis e lâminas afiadas. Nunca fomos submetidos a um vexame desses. Nunca!

Nesta quarta, no discurso que abre a Assembleia Geral das Nações Unidas, uma tradição inaugurada em 1947 por Oswaldo Aranha, Dilma insistiu nesse ponto, para espanto dos presentes. Os que a ouviam certamente se perguntavam: “Quem é essa que vem pregar o entendimento e o diálogo com facinorosos que só reconhecem a língua da morte e da eliminação do outro?”.

Houvesse uma lei que proibisse o uso de aparelhos públicos internacionais para fazer campanha eleitoral, Dilma teria, agora, de ser punida. Sua fala na ONU foi a de uma candidata — mas candidata a quê, santo Deus? A presidente do Brasil desfiou elogios em boca própria, exaltando, acreditem, suas conquistas na economia, no combate à corrupção e na solidez fiscal — tudo aquilo, em suma, que a realidade interna insiste em desmentir.

Não falava para os que a ouviam; falava para a equipe do marqueteiro João Santana, que agora vai editar o seu pronunciamento de sorte a fazer com que os brasucas creiam que o mundo inteiro se quedou paralisado diante de tal portento, diante daquele impávido colosso que insistia em dar ao mundo uma aula de boa governança. Justo ela, que preside o país que tem a pior relação crescimento-inflação-juros entre as dez maiores economias do mundo.

De tal sorte fazia um pronunciamento de caráter eleitoral e eleitoreiro que, numa peroração em que misturou dados da economia nativa com um suposto novo ordenamento das relações internacionais, sobrou tempo para tentar faturar com o casamento gay. Afirmou: “A Suprema Corte do meu país reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo, assegurando-lhes todos os direitos civis daí decorrentes”. É claro que queria dar uma cutucadinha em Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, que o sindicalismo gay petista tentou transformar em homofóbica numa das vertentes sujas da campanha.

Sem ter mais o que pregar aos nativos; temerosa de que o eleitorado cobre nas urnas os muitos insucessos de sua gestão; sabedora de que boa parte da elite política que a cerca pode ser engolfada por duas delações premiadas — a de Paulo Roberto Costa e da Alberto Youssef —, Dilma elegeu a sede da ONU como um palanque.

Na tribuna, bateu no peito e elogiou as próprias e supostas grandezas, como fazem os inseguros e os mesquinhos. No discurso que abre a Assembleia Geral das Nações Unidas, tratou de uma pauta bisonhamente doméstica — e, ainda assim, massacrando os números. Quando lhe coube, então, cuidar da ordem internacional, pediu, na prática, que terroristas sejam considerados atores respeitáveis.

Desde 12 de outubro de 1960, quando o líder soviético Nikita Krushev bateu com o próprio sapato na mesa em que estava sentado — e não na tribuna, como se noticia às vezes — para se fazer ouvir, a ONU não presencia cena tão patética. Nesta quarta, Dilma submeteu o Brasil a um ridículo inédito.


Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O ABRAÇO À CAVERNA DO ALI BABÁ


Quem assistiu a cena patética ficou impressionado com o comportamento do ex-presidente Lula tentando abraçar a Petrobrás, no Rio, o prédio que os seus companheiros transformaram na caverna do Ali Babá. A pobreza política de Lula deixa pasmo milhões de pessoas que por duas vezes o premiaram com a presidência da república.
Vestindo um casaquinho alaranjado e acompanhado de um monte de pelegos sindicais, muitos deles da própria Petrobrás, o ex-presidente esgoelou em vão para chamar atenção de quem passava pelo local. Os berros foram inúteis, como foram inúteis também os apelos à proteção da Petrobrás que a petezada transformou em um covil de corruptos.
A intenção do Lula era combater a Marina que já disse defender a energia alternativa a exploração do Pré-sal. Não deixa de ser uma boa idéia já que esses recursos minerais são esgotáveis. É para manter a gigante reserva de petróleo intocável em seu território que os Estados Unidos vivem em conflito permanente com os países árabes de quem compra o produto barato para abastecer o país, sem precisar mexer no seu estoque estratégico de óleo. Mas é claro que a Marina defendia a energia alternativa como forma de não alterar as nossas jazidas naturais, uma maneira boazinha de fazer política com o seu víeis ambientalista, um romantismo que beira ao sonhático para quem quer ser presidente.
Lula viu nessa declaração de Marina motivos mais que suficientes para juntar um monte de companheiros, mamadores das estatais, para fazer um gesto político em defesa do patrimônio brasileiro. É de se perguntar por que o ex-presidente não tomou essa iniciativa quando os gangsteres ocuparam a diretoria da Petrobrás no seu governo para saquear a empresa e distribuir seus “dividendos” com políticos de vários partidos e empresários desonestos. Essa, sim, seria uma iniciativa nobre do companheiro Lula que agora se transformou em agitador, uma coisa démodé para quem exerceu por duas vezes à presidência.
Na verdade, Lula é um homem obcecado pelo poder. Descobriu que, pela política e não pelo trabalho, pode alcançar o inalcançável. Quer manter a todo custo o status político, mesmo que para isso jogue a honra no lixo e mande os “escrúpulos às favas”, como disse Jarbas Passarinho ao aderir o AI 5 que mergulhou o Brasil numa sangrenta ditadura. Lula não tem limites. Faz aliança com bicheiros, políticos e empresários corruptos, com a direita, com esquerda festiva, enfim, com quem pode contribuir para que ele e seu grupo se mantenham no poder.
Como tem algumas aposentadorias conquistadas com a política, o ex-presidente pode se dar ao luxo de percorrer o país, as vezes em jatinhos de empresários, endividados com o BNDES, para cabalar votos para Dilma, a presidente que está levando o Brasil a recessão, que manteve os saqueadores do dinheiro público dentro dos ministérios em nome da falsa governabilidade. É assim, que mais uma vez, a petezada vai tentar se manter no poder. Com o seu voto, claro!

Dilma ainda vai atravessar tormentas. O que seria seu grande cabo eleitoral, Lula pode estar estragando a festa da sua candidata quando tenta voltar ao Lula sindicalista. A imagem está distante daquele Lula guerreiro, que ocupava as fábricas e fazia discurso para milhares de operários no ABC paulista e no Brasil. Que dizia impropérios contra “elite branca” e acenava com a bandeira do combate a corrupção. Daquele Lula, nada resta nem sombra. O de hoje vive nos noticiários dos escândalos, do mensalão das CPIs no parlamento. Tem contra ele depoimentos de Marcos Valério e de outros intermediários engaiolados pela Polícia Federal.

Jorge Oliveira
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