sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Assalto à base de canetas e maletas


Este artigo também poderia se intitular "Por que só o PT não se escandaliza?". A propósito, tenho acompanhado as manifestações de petistas sobre a nova prisão do empresário José Dirceu, um dos mais bem remunerados consultores do país. Verdadeiro fenômeno, o Zé! De militante comunista a exilado em Cuba; de dono de uma loja de roupas masculinas no interior do Paraná a deputado federal pelo PT; de ministro Chefe da Casa Civil a condenado pivô do mensalão; da Papuda à magnata no mercado de consultoria. Nessa atividade, alcançou tamanha competência que muitas das maiores empresas do país fazem fila para depositar em suas contas, remunerando com cifras que se avolumam aos milhões os bons serviços prestados. Nada mau para um ex-militante da Ala Marighela do PCB e do Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP). De comunista a capitalista. Da devoção à estrela vermelha à adoração do bezerro de ouro.

 Seu partido, a cada aparição, certamente lembrando seus tempos de militante comunista e dirigente partidário, festeja-o como "guerreiro, herói do povo brasileiro!". Hoje, sua influência no mundo dos negócios, sua qualificação como consultor para empresas de variados ramos de atividade, unidas pelo fio condutor dos interesses nos recursos públicos, o credencia a condição de benfeitor de malfeitores no mundo empresarial brasileiro.

A operação Lava Jato vem desbravando incontáveis trilhas, através das quais, ininterruptamente, desde 2003, vem drenando dinheiro do povo para os aparelhos partidários da base do governo. Enquanto o prestígio deste rola escada abaixo, a sociedade vai compreendendo que foi vítima de um assalto à base de caneta e maleta. De caneta para assinar ordens de pagamento e de maleta para carregar dinheiro. Dinheiro nosso, repito, porque o Estado não tem um real que possa chamar de seu. Todos os recursos do Estado são gerados na sociedade, a ela pertencem e a ela deveriam servir.

No entanto, até hoje, não vi rubor em face petista. Ninguém sussurrou, ainda, um pedido de desculpas. Ninguém baixou os olhos encabulado ante o dano proporcionado ao país e o prejuízo causado à nação. Ao contrário, "companheiros" do partido, "camaradas" do partidão, revoltados adolescentes septuagenários, jornalistas a soldo, militantes em ambientes virtuais (os MAVs), tomados de falsa indignação, dedicam-se às seguintes e constrangedoras tarefas diárias: combater as manchetes, destratar as notícias, criticar as críticas e julgar o juiz.

Sua única preocupação e ocupação consiste em proteger o PT e os petistas envolvidos em escândalos. Tal conduta os qualifica como cúmplices e deixa muito claro ao observador atento a intenção de pôr um fim nas investigações para que possam dar continuidade ao que vêm fazendo, com as canetas e com as maletas.


Percival Puggina - Membro da Academia Rio-Grandense de Letras

Alguém


Quem está acostumado com a elegância fria e contida do vice-presidente Michel Temer estranhou não só o tom, mas também a forma do pronunciamento, quarta-feira, em que conclamou um pacto nacional “acima dos partidos, do governo, de toda e qualquer instituição” e, num ato falho, pregou: “É preciso alguém para reunificar o País!”

Tenso, emocionado, até com o cabelo desalinhado, Temer parecia anunciar o fim do mundo – ou seria o fim do governo Dilma Rousseff? Se é preciso “alguém” para reunificar o País, é porque os governos do PT dividiram o País e Dilma não tem poder, aptidão e competência para consertar o estrago. E esse alguém pode muito bem, até pela lógica e pela Constituição, ser o vice. Enquanto Temer falava em tom de estadista, um desavisado poderia ironizar: só falta pôr a faixa presidencial...

A sensação foi potencializada pelas declarações do chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que inverteu posições com Temer. Enquanto o vice deixou a frieza de lado, o sempre arrogante e beligerante ministro foi humilde, conciliador e até bem-humorado ao defender um “pacto suprapartidário” e fazer um afago no arqui-inimigo PSDB.

Num ambiente político explosivo como o atual, as interpretações pipocaram em Brasília. Temer e Mercadante tentavam apenas evitar a “pauta-bomba” na Câmara? Ou refletiam o desespero do governo? Ou, enfim, tinham recebido a sinalização de que Dilma jogaria a toalha?

Para piorar, o presidente do Senado, Renan Calheiros, deixou vazar o jantar entre o seu PMDB e o PSDB de Aécio Neves, depois encorpado pelo PSDB de José Serra. Desta vez, foi fácil interpretar: tucanos e peemedebistas já discutem cenários e inclusive o “day after” de um eventual afastamento de Dilma, seja por que motivo for, seja de que forma for.

A crise ganhou contornos mais dramáticos com a derrota acachapante do Planalto na votação do projeto que vincula salários da AGU e de delegados aos do Supremo – por emenda constitucional! E explodiu de vez com o Datafolha que confere a Dilma o amargo troféu de presidente mais impopular desde a redemocratização, com 8% de aprovação, 71% de reprovação e 66% pró-impeachment.

Diante de tudo isso, tem-se que Dilma Rousseff não tem sustentação nem dentro (o Congresso) nem fora (na população) e é incapaz de conter a crise política e econômica, enquanto a Lava Jato expõe as entranhas do governo Lula a céu aberto. Os ratos, ops!, os partidos aliados já começam a abandonar o barco, caso de PDT e PTB (um ministério cada), mas o processo depende mesmo é... do PMDB. Maior partido do País, ele se comporta como um pêndulo, ora vai para o PSDB, ora para o PT. Neste momento, move-se claramente para o lado do PSDB.

É aí que tudo empaca, porque o que impede uma saída negociada é justamente a divisão do PSDB, particularmente acirrada diante da derrocada da era PT. Ao PMDB e a José Serra encanta a hipótese da posse de Michel Temer, via decisão do TCU. A Geraldo Alckmin convém que nada mude e que Dilma vá aos trancos e barrancos até 2018. E a Aécio Neves, que é quem de fato tem a máquina tucana nas mãos, ou Dilma fica até o fim ou Dilma e Temer caem juntos pela reprovação das contas de campanha no TSE.

Foi por isso, e só por isso, que os líderes Cássio Cunha Lima e Carlos Sampaio, ambos aecistas, correram a declarar ontem que, se Dilma for afastada, o sucessor tem de ser legitimado pelo voto popular, com novas eleições 90 dias depois e o presidente da Câmara assumindo o Planalto até lá. Tradução: nada de apoio à posse de Temer.


Resumo da ópera: o PMDB já pulou fora do barco do PT, mas ainda não consegue pular no do PSDB, que navega com vários comandantes, ao sabor de correntes marítimas conflitantes e mirando diferentes destinos. Sem isso, nem o PMDB nem as oposições chegam a lugar nenhum. Dilma, com ou sem o Congresso, com ou sem a opinião pública, vai ficando, ficando, ficando... E a economia vai implodindo, implodindo, implodindo...

Eliane Cantanhêde, O Estado de São Paulo, 7/8/2015.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Acabou, Dilma!

Com as mãos cada vez mais sujas!
Se não houver uma alteração de última hora, o programa político do PT vai ao ar depois de amanhã, dia 6, com a presidente Dilma e o partido estreitando-se, como na poesia, num abraço insano, em horário nobre. O país deve ouvir, então, o maior panelaço-apitaço da história, numa espécie de avant-première dos protestos do dia 16 de agosto. Se o governo achava que, com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) contra as cordas, teria alguma folga, então é porque ignora a dinâmica da realidade.

A prisão de José Dirceu, agora pela atuação no escândalo do petrolão, faz a crise atingir um novo patamar e, mais uma vez, a exemplo do mensalão, bate à porta de Lula. Nem tanto porque os dois fossem íntimos — o que, a bem da verdade, nunca foram —, mas porque ambos sempre ocuparam posições de mando, formais ou informais, na organização que lhes garante o poder: o PT.

E há mais estragos à vista. Marlus Arns, o novo advogado constituído por Renato Duque, homem do partido na Petrobras, negocia os termos de sua delação premiada. Seus outros defensores, por discordarem do procedimento, abandonaram a causa. Tido habitualmente como homem de Dirceu na Petrobras, é evidente que todos reconhecem nessa qualificação de Duque só um modo de dizer. Dirceu não dispunha um exército privado na legenda. Os “seus homens” eram os “homens do PT”. Ainda que possa ter usado as posições de mando ou de influência para obter benefícios pessoais, todos reconheciam nele uma personagem a serviço de uma causa.

E essa “causa”, obviamente, tinha um chefe: Luiz Inácio Lula da Silva. Imaginar que ele passará incólume também por essa avalanche desafia o bom senso. A fala de Roberto Podval, defensor de Dirceu, segundo quem seu cliente é um “bode expiatório”, pode traduzir um sentido muito específico, intencional ou não: o ex-minstro não deixa de ser oferecido como uma espécie de elemento ritual que purga todas as culpas do PT, inclusive as que não são suas (do próprio Dirceu) — ou, vá lá, não são exclusivamente suas. O ex-ministro não era o dono de um partido dentro do partido. Quem acredita nisso?

Li em algum lugar que o juiz Sergio Moro estaria espantado com a abrangência do esquema criminoso. Quem conhece a forma com se organizou o PT e os seus valores não está, de modo nenhum, espantado. Já a ousadia e o desassombro, ancorados na certeza da impunidade, isso, sim, chama a atenção. Os dados da investigação que vêm à luz indicam que o processo do mensalão, embora ocupasse o noticiário com força avassaladora, não intimidou de nenhum modo a turma. Ao contrário: parece ter lhe excitado a imaginação para descobrir caminhos novos para a falcatrua.

É evidente que a coisa toda assume uma perspectiva que chega a ser apavorante. A promiscuidade entre políticos, empreiteiros, lobistas e toda sorte de intermediários passou por uma devassa na Petrobras e talvez seja esmiuçada na Eletrobras, mas cabe a pergunta óbvia: há alguma razão objetiva para que as coisas tenham se dado de maneira diversa nas demais áreas do governo? A resposta é, obviamente, negativa. Se as personagens eram as mesmas, se os mesmos eram os métodos, e se também não variava a forma de ocupação dos cargos públicos, por que haveria de ser diferente?

O PT constituiu um estado dentro do estado. O PT criou um governo dentro do governo. O PT governou um outro Brasil dentro do Brasil. O PT expropriou a população dos bens do seu país. O PT usou a democracia para tentar solapá-la.

Nada escapou do governo paralelo. Milton Pascowitch, por exemplo, que fez delação premiada, afirmou à Justiça ter entregado na sede do PT, em São Paulo, R$ 10,532 milhões de propina em dinheiro vivo. Desse total, R$ 10 milhões seriam relativos a um contrato da Engevix com a Petrobras para construir cascos de oito plataformas do pré-sal. Os outros R$ 532 mil seriam parte da propina em razão do contrato da empreiteira com o governo para as obras de Belo Monte.

Vejam que coisa: pré-sal, Belo Monte, refinarias da Petrobras… Eram os projetos nos quais se ancorava o discurso ufanista do lulo-petismo, que sempre teve, sabemos, uma gerentona, que acabou sendo vendida ao distinto púbico como a mãe dos brasileiros, a “Dilmãe”, não é assim?

Os que imaginam que Dilma pode ficar por aí — como Marina Silva, por exemplo — vão indagar onde está a digital da presidente ordenando esta ou aquela falcatruas ou, ao menos, condescendendo com elas. Se Dilma ocupasse só uma função técnica no governo, talvez a gente pudesse se contentar com o escopo apenas penal de sua atuação. Mas ela é uma liderança política. Ocupa a Presidência da República e é, queira ou não, produto dessa máquina corrupta que tomou conta do estado. Eleita e reeleita, foi sua beneficiária direta, uma vez que a estrutura criminosa financiava também o processo eleitoral.

Se Lula não tem para onde correr, Dilma tampouco tem onde se refugiar. Ocorre que, no momento, o país é, em parte, refém das prerrogativas que detém a mandatária. Por isso mesmo, ela tem de libertar o Brasil, ou o Brasil tem de se libertar dela.


Presidente, é preciso saber reconhecer o momento: acabou!

Reinaldo Azevedo, 4/8/2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Liberou geral


A 16.ª fase da Operação Lava Jato, que inaugurou a ampliação das investigações do petrolão para o setor elétrico, confirma o que os escândalos do mensalão e do propinoduto na Petrobrás já haviam evidenciado: a corrupção tornou-se endêmica na administração pública. “Estamos vivendo um processo de metástase da corrupção. A corrupção espalhou-se para outros órgãos da administração pública”, declarou em Curitiba, ao anunciar a nova operação da Polícia Federal, batizada de Radioatividade, o procurador federal Athayde Ribeiro Costa.

Chega a ser chocante - além da constatação de que a prática de ilicitudes no âmbito do governo atinge proporções alarmantes - que o poder de sedução dos corruptores seja irresistível até para personalidades públicas de currículo notável como o do presidente licenciado da Eletronuclear, subsidiária da Eletrobrás, vice-almirante reformado Othon Luiz Pinheiro da Silva, considerado a maior autoridade brasileira em energia nuclear. Pinheiro da Silva foi preso temporariamente sob a acusação de se ter beneficiado de propinas milionárias envolvendo contratos para a construção da Usina Nuclear Angra 3. A denuncia surgiu na delação premiada do ex-presidente da Camargo Correa Dalton Avancini.

A corrupção generalizada, que aparentemente só não é encontrada onde não é procurada, é a verdadeira herança maldita de 12 anos de lulopetismo no poder. Como se tem reiteradamente afirmado neste espaço, a corrupção na gestão da coisa pública não foi inventada pelo PT. Ela é um traço perverso da mentalidade patrimonialista historicamente predominante desde os tempos coloniais. E é um fenômeno que, de resto, não é estranho a nenhuma administração pública na face da Terra. Trata-se, simplesmente, de produto das fraquezas humanas, que naturalmente tende a prosperar com maior desenvoltura em ambientes propícios.

Pois é exatamente disso que se trata: Lula e o PT, desde que chegaram ao poder em 2003, passaram a criar no País um ambiente favorável à corrupção. Aí estão os sucessivos escândalos que o comprovam.

Diante dessa constatação, costumam reagir os petistas com o argumento de que a corrupção é hoje aparentemente maior apenas porque o governo passou a garantir ao Ministério Público e à Polícia Federal autonomia e recursos para o “combate sem tréguas à corrupção” - frase que Dilma Rousseff gosta de repetir. Ora, pode-se argumentar também, com base na mesma relação inescapável de causa e efeito, que o combate à corrupção tem hoje tanta visibilidade pela simples razão de que ela está muito mais disseminada do que antes.

O fato é que a prática generalizada de ilicitudes no trato dos recursos públicos é hoje o resultado da consagração de um princípio que, se por razões óbvias não está explicitado, está implicitamente impregnado no populismo autoritário do lulopetismo. Sua grande meta, seu objetivo, seu fim é a perpetuação desta elite no poder a qualquer custo. Basta olhar para os regimes políticos que o PT admira mundo afora para ter uma ideia do que eles aspiram para o Brasil. Tudo, é claro, em benefício do “povo oprimido”.

É claro que, além do fator “ideológico” - reconhecendo-se que sobrevivem raros petistas com genuíno espírito público -, milita a favor da corrupção desenfreada o gosto pelas benesses do poder, a famosa “boquinha” da qual a companheirada mais “pragmática” nem pensa em abrir mão.


Tudo isso prosperou à sombra do peculiar modelo de “presidencialismo de coalizão”, implantado pelo lulopetismo em nome da “governabilidade”. Coalizões políticas para sustentar governos são comuns e frequentemente inevitáveis em sociedades democráticas. Mas dar sustentação política a um governo significa aderir, programática se não ideologicamente, a projetos cujos escopos sejam compatíveis com as convicções de quem apoia. A coalizão patrocinada pelo lulopetismo tem muito pouco a ver com convicções programáticas. Trata-se, quase que invariavelmente, de meros conluios cimentados por puro fisiologismo. Toma lá, dá cá. Alguém acredita que Sarney, Collor, Barbalho, Maluf e tantos outros sustentáculos da “base aliada” sejam movidos por idealismo? A partir daí, liberou geral.

Opinião - O Estado de São Paulo, 3/8/2015.

Vê se toma tenência e vergonha na cara, FHC!

Melhores amigos!
Assim não dá. Assim não é possível. Se fosse para escolher uma só oposição, qual você escolheria? Ora, o PSDB representando por FHC, claro! Uma “oposição” dessas até Fidel Castro aceitaria em Cuba! O Brasil vive a “tempestade perfeita”, os escândalos de corrupção chegaram até o cangote da presidente Dilma, que já não tem apoio algum. A economia desce ladeira abaixo por conta das trapalhadas passadas e da inoperância presente do governo. O PT passa a ser desprezado pela população que pensa. E o que faz Fernando Henrique? Elogia Dilma! Novamente, com aquela entonação de voz dele: Assim não dá. Assim não é possível.

Leio na Exame que o ex-presidente, em entrevista a uma revista alemã, baixou o tom e saiu em defesa da presidente Dilma. Estou com alguma esperança, minúscula, confesso, de que seja um problema de tradução. O entrevistador não compreendeu direito. Só pode ser isso! Alemão é uma língua difícil mesmo, tentei aprender por seis meses e sei do que falo. Pois, tirando essa hipótese, o que temos é um “líder de oposição” que mais parece um companheiro, um camarada escalado pela própria Dilma para aliviar sua barra nesse momento delicado. Vejam:

De acordo com a DW, FHC disse na entrevista, publicada em alemão na edição da revista deste sábado, 1º, que Dilma não está envolvida nos desvios da estatal petrolífera, mas que o PT está. Ele lembrou que João Vaccari, ex-tesoureiro da sigla, foi detido na operação.

“Eu a considero uma pessoa honrada, e não tenho nenhuma consideração por ódio na política, também não pelo ódio dentro do meu partido, ódio que se volta agora contra o PT”, diz FHC, creditando a Lula a responsabilidade por todo o escândalo.

E disse que talvez Lula tenha que depor como testemunha, “o que já seria suficientemente desmoralizante”.

“Não se deve quebrar esse símbolo (Lula), mesmo que isso fosse vantajoso para o meu próprio partido. É necessário sempre ter em mente o futuro do país”, disse o ex-presidente tucano na entrevista.

FHC chegou até a elogiar o petista: “Ele certamente tem muitos méritos e uma história pessoal emocionante. Um trabalhador humilde que conseguiu ser presidente da sétima maior economia do mundo.”

Como é que é? Dilma, uma pessoa honrada? Em que planeta? Sua trajetória é a de uma terrorista, assaltante, disposta aos meios mais nefastos não para defender a democracia, mas para impor o comunismo! Depois foi eleita como um “poste”, sem jamais ter recebido votos e com a única experiência administrativa de ter quebrado uma lojinha de bugingangas. Foi reeleita depois com muito abuso da máquina estatal e o estelionato eleitoral em curso. Uma pessoa honrada? O que FH entende por honra, meu Deus?!

Lula também recebeu elogios? Não se deve quebrar um símbolo? Qual símbolo? O de um sujeito imoral, indecente, cínico e mentiroso, disposto a “fazer o diabo” para ficar no poder? Ou o de um populista safado amigo dos piores ditadores do planeta? É esse símbolo que FH quer tanto preservar em prol do nosso futuro? Um futuro bolivariano, talvez? Quais foram os méritos de Lula em sua trajetória? Quem diz isso tem um conceito muito diferente do meu sobre mérito!

Vê se toma tenência, FH! Vai mesmo se afundar junto do PT? Seu ranço socialista ainda é tão grande assim? Não é capaz de compreender o momento em que vive o Brasil, a indignação popular com essa cambada de ladrões, a revolta com o caos social e econômico plantado pelo governo? Não sente os ventos de mudança, que não deixam mais espaço para uma “oposição” covarde, pusilânime, “amiguinha” que tenta salvar a cara dos vilões de nossa democracia? Não aprendeu com os erros de 2005 no mensalão? Vergonha na cara, FH! Ou vai abraçar os afogados e descer junto com eles para o fundo do pântano, de onde tais criaturas jamais deveriam ter emergido!


Rodrigo Constantino, 1/8/2015

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Eu sou vocês amanhã


Confirmado. Tudo o que a presidente Dilma Rousseff queria ao atrair para o recanto do seu lar todos os governadores do País era pedir apoio a eles para a “travessia” e para concluir o mandato em 2018. 

Ou seja, Dilma só queria tirar uma foto e dar um grito de socorro contra o impeachment. Seria só patético, não fosse dramático que uma presidente recém-eleita, com apenas meio ano de mandato, tenha chegado a tanto.

De casaquinho azul bebê, Dilma falava para os governadores (e para o público da TV oficial) em “travessia”, “democracia”, “humildade”, “somar esforços”, “cooperação” e “parcerias”. Nos sites, as manchetes eram outras, no tom cinzento e ameaçador da crise. O déficit das contas públicas foi de R$ 8,2 bilhões num único mês, o de junho, o que gerou um resultado negativo de R$ 1,6 bilhão no primeiro semestre. É o pior resultado em toda a série histórica. Mais um recorde da era Dilma.

E não parou por aí, porque os juros do cartão de crédito atingiram estonteantes 372% ao ano. Ok, todo mundo sabe que endividamento com cartão é fria, mas a chamada “nova classe média” está meio perdida no paraíso com o aumento do desemprego e a queda da renda e, no aperto, pode recorrer ao cartão e cair na esparrela. Sem contar que os juros no cartão são só um aspecto dos juros escorchantes.

Bem, enquanto o mundo real continuava produzindo uma notícia ruim atrás da outra, Dilma dizia aos governadores que “é preciso ter humildade para receber críticas”, mas fazia justamente o contrário, de certa forma desafiando: “Eu sei suportar pressão e até injustiça”. Ou seja, preferiu encenar o papel de vítima, sabe-se lá de quem e de quê, a humildemente se assumir como algoz da economia.

E repetiu o cardápio de sempre para tentar justificar a injustificável crise econômica: colapso do preço das commodities, desvalorização do real, crise internacional (“que continua não esmorecendo”) e a seca. A consequência de tudo isso, concluiu, foi uma forte queda na arrecadação de impostos e contribuições sociais. Digamos que, sim, há verdade nesses fatores objetivos. Mas e o fator Dilma Rousseff?

Ela não deu um pio sobre a sua crença íntima de que um pouco de inflação não faz mal a ninguém, a arrogância de ter baixado os juros artificialmente, a canetada que desestruturou o setor elétrico, a troca do sistema de concessões para o de partilha na exploração do pré-sal, a sinalização de uma guinada estatizante para os investidores internos e externos. Como não fez nenhuma referência, indireta que fosse, à corrupção deslavada que fragilizou a Petrobrás e minou a confiança externa.

Do ponto de vista político, Dilma tentou mobilizar os governadores contra o Congresso, onde, como advertiu, tramitam medidas com efeito direto sobre as contas tanto do governo federal quanto dos estaduais. Teve até o cuidado de distribuir uma cartilha elencando projeto por projeto do que a gente chama de “pauta-bomba”, aquela que finge que é para beneficiar categorias e pessoas, mas só serve para azucrinar Dilma Rousseff.

Mas tudo isso é detalhe. O fato é que Dilma convocou os governadores a Brasília com o único objetivo de obter apoio político. Sem pronunciar aquela palavrinha maldita – impeachment – nem fazer referências indiretas àquela data aterrorizante – 16 de agosto –, a presidente mandou um recado subliminar para os governadores, ao lembrar que ela, como eles, conquistou seu mandato democraticamente e vai concluí-lo em 2018. Soou assim: se me derrubam hoje, amanhã podem ser vocês. O pior, para todos eles, é que pode mesmo.


Eliane Cantanhêde, O Estado de São Paulo, 31/07/2015

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Dilma dá o recado que ninguém ouve



Dilma manda a governadores recado que eles não queriam ouvir

Os dias que antecederam a reunião de Dilma Rousseff com os governadores foram cercados de certo desconforto por parte dos convidados.

Diante da crise econômica e política e da popularidade em franco derretimento da presidente, os chefes dos Executivos estaduais temiam ser chamados para dividir o fardo pesado que Dilma carrega desde que se reelegeu.

Mais: os que foram reeleitos no ano passado guardavam ainda fresca na memória a experiência pós-junho de 2013, quando Dilma chamou os 27 governadores para assistirem ao famoso discurso dos "pactos" nacionais –eram cinco, no fim nenhum deles se concretizou.

Os oposicionistas temiam cair na cilada de serem convidados a ajudar numa governabilidade que nem lhes interessa nem é sua responsabilidade. E os dos partidos aliados, que sentem no dia a dia a dificuldade de apoiar um governo impopular, também não queriam se tornar sócios nessa empreitada.
Foi com essa (pouca) disposição que a maioria dos 27 viajou a Brasília. Some-se a isso as trapalhadas de cerimonial, que só distribuiu os convites poucos dias antes do encontro, com pauta genérica e sem deixar claro quem falaria ou não, e dá para se ter ideia do clima pré-encontro.

Pois bem. Com todos dispostos em volta da mesa no Palácio da Alvorada, Dilma se pôs justamente a fazer um discurso genérico sobre várias áreas do governo, seguido de um chamado para que os ministros das áreas fizessem em seguida uma "rápida" explanação sobre projetos de suas pastas.

Truque retórico

Na parte televisionada do encontro, a presidente leu um papel sem olhar nos olhos dos convidados. Citou de forma ensaiada um ou outro dos presentes, para afetar alguma intimidade e consideração –o efeito foi nulo, o truque retórico é manjado e não funcionou com o pouco traquejo de Dilma para o improviso.

E, já no finzinho, mandou o recado que os governadores não queriam ouvir: precisa da ajuda deles para barrar a pauta-bomba no Congresso. Pior: insistiu que a crise é uma "travessia", sem assumir nenhuma responsabilidade pela instabilidade econômica, e repetiu várias vezes que ela atinge "to-dos'', assim mesmo escandido, os governos.

Equivaleu a dizer aos que se abalaram a Brasília: me ajudem a embalar Mateus porque não pari sozinha.

Acontece que os governadores pensam o contrário: a crise é do governo federal, que a criou e a agravou. Se Dilma quer ajuda para o ajuste fiscal, algo que muitos estão dispostos a ofertar, deveria pedir especificamente para isso e assumir a responsabilidade que lhe tange, sem tergiversar.
Na parte aberta do encontro, no entanto, a presidente passou longe disso.

Resta saber se os políticos que faziam reparos ao modelo da reunião nos bastidores terão coragem de explicitar as críticas diante de Dilma, se for dada a palavra a todos. O mais provável é que também eles se atenham a observações genéricas.

Nesse caso, o encontro terá sido mais uma reunião longa, cansativa e inócua, como aquela de 2013 e tantas outras. Dilma sairá dela tão impopular e desgastada quanto entrou, os governadores voltarão para seus Estados sem recursos e perspectivas de investimentos e a pauta-bomba continuará à espreita quando o Congresso retomar os trabalhos na segunda-feira.

Folha de São Paulo, 30/07/2015
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...